• Animais íntimos

    Sei que parece fantástico, mas a história dos bichos que moram dentro da gente não é brincadeira

    por Ney em 7 de maio de 2012 | 18:45

    E então, como vai a guerra dos teus animais íntimos? Sei que parece fantástico, mas a história dos bichos que moram dentro da gente não é brincadeira. Conheci um casal que passou pelo problema. Encontraram-se ainda adolescentes e amaram-se perdidamente. Fizeram planos, juraram amor eterno, queriam filhos, netos e bisnetos. Iriam construir casa, contribuir com o dizimo pastoral, ser comunitários, beneméritos, gente boa. Só não gostavam de bichos, e isso ficou bem claro e combinado. Nada de bichos dentro de casa.

    Casaram no mês de maio e foram ao México em lua-de-mel. Pouco depois estavam de volta, tristes e cabisbaixos. O casamento não se consumara.  Foram ao psicólogo, ao psiquiatra e à benzedeira tentando entender o que acontecera. Escreveram ao bispo. Nada adiantou. Então os cachorros da rua começaram a latir na sua passagem, cada vez mais alto e mais forte ressoando no fundo de seus ouvidos até tarde da noite, já bem depois da hora em que os cachorros se recolhiam para dormir em suas casinhas. Aí, tomaram a decisão e foram a um veterinário que os encaminhou de volta ao psiquiatra que achou o caso perfeito para uma benzedura. A benzedeira não teve dúvidas em recomendar que voltassem ao México para começar tudo de novo. E assim o fizeram.

    Em Chihuahua, tomaram a decisão de abrir mão da combinação pré-nupcial e compraram um cachorro bem fofo, pequeno, mas bem fofo que levaram para casa numa cestinha de vime forrada com trapos vermelhos. Desesperados, porém, descobriram que os latidos do fofo eram desprovidos de som, e mais ainda, que os latidos mudos ressoavam forte no interior de suas almas, desencadeando  rugidos, berros e urros de inúmeros outros animais cuja presença eles, até então, desconheciam completamente.  Aquilo era pura loucura, eles sabiam, mas,  por não acharem outra saída resolveram encarar o problema como uma extensão exótica da sua triste realidade.

    Então, pela primeira vez, olharam-se com a cumplicidade de dois loucos e decidiram, de comum acordo, soltar os bichos que mantinham aprisionados em suas desavisadas almas. Primeiro saiu um gatinho, depois um hamster, depois um buldogue, até que um tigre jogou-se contra a porta fazendo com que perdessem completamente o controle, deixando que a bicharada escapasse em massa, em meio a uma balbúrdia nunca antes vista pelas suas mansas bem comportadas almas.

    Desde então, os latidos noturnos sumiram completamente. Em seu lugar, um silêncio profundo, carregado de intenso mistério os faz permanecer enlaçados num sexo doido e interminável, enquanto os animais passeiam ao seu redor, cheirando, lambendo e fuçando o monte de roupas sujas que vai se acumulando por toda casa.

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    Esgrimindo espadas de igual para igual

    por Ney em 30 de março de 2012 | 16:45

    É impossível estabelecer com precisão o tempo que a natureza levou para desenvolver a anatomia das pelves masculina e feminina, mas podemos inferir que não foi pouca coisa. Para dar uma idéia, depois que alguns primatas africanos puseram-se em pé e começaram a jornada evolucionista em direção ao “homo sapiens” estima-se que se passaram entre cinco a oito milhões de anos, sem contar o que possa ter acontecido antes desse movimento estratégico da macacada.

    Geneticamente homens e mulheres até são bem parecidos. Dos 30.000 genes mapeados até agora, 99% são comuns aos dois, o que nos induz a pensar que, afora alguns pequenos detalhes anatômicos quase desprezíveis, os gêneros seriam praticamente iguais. Ledo engano. Esse ínfimo 1% que constitui a diferença entre machos e fêmeas é de tal forma importante que qualquer alteração na sua logística colocaria em risco a própria sobrevivência da espécie. Em resumo, estamos falando dos cromossomos sexuais, responsáveis por grande parte da bagunça afetiva que tomou conta do mundo contemporâneo.

    O par 23, como são conhecidos, comanda os acontecimentos desde a fecundação do óvulo até o suspiro final de cada um de nós. Ordens disparadas por eles acionam disjuntores biológicos que fazem os homens naturalmente mais agressivos e as mulheres ciclicamente instáveis, movidas por lógicas de sobrevivência completamente diversas das do modelo masculino. E é graças a essas saudáveis diferenças que a conjunção das pelves continua a ocorrer, fazendo de nós uma espécie vencedora.

    O século XX foi marcado por inúmeros acontecimentos notáveis, mas nada que se compare ao resgate do feminino para um patamar de equivalência com o masculino. As mulheres são seres superiores em todos os aspectos e mudaram o rumo de sua história tornando-se independentes do jugo masculino por méritos próprios. Em tese, essa nova realidade deveria tornar as coisas mais fáceis para todo o mundo, mas não é o que se vê por aí. As mulheres se queixam cada vez mais da falta de homens que entendam suas almas libertas, e os homens, da falta de mulheres que aceitem sua lógica machista sem muita argumentação. Na prática, os cromossomos não foram devidamente informados das mudanças e continuaram a trabalhar de forma metódica, induzindo as mulheres a gostar de homens que as carreguem no colo, como criaturas desprotegidas que não são mais, e os homens, a procurar por mulheres que cuidem deles como adolescentes rebeldes que nunca deixarão de ser.

    Em nome do feminismo politicamente correto, talvez tenha chegada à hora de dar um basta nas maldades do par 23.  O amor na sua forma hormonal parece ser uma página virada no mundo moderno e precisaria ser reinventado dentro de um viés mais equilibrado. E se a igualdade fosse mesmo para valer, faltaria ainda ajustar a morfologia das pelves, suprimindo ou incorporando detalhes anatômicos dentro da conveniência para que, finalmente, homens e mulheres pudessem esgrimir suas espadas de igual para igual. Com alguma sorte, as mudanças ficariam prontas nos próximos cinco ou oito milhões de anos, talvez um pouco menos, se o par 23 fosse devidamente informado e se dispusesse a colaborar com alguma sugestão.


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    Beleza vazia

    Ser bela não é tão importante.

    por Ney em 15 de março de 2012 | 17:45

    Ser bela não é tão importante. Ser amada, sim. No entanto, preste atenção. Ser amada não é só ser desejada, porque desejadas todas as mulheres belas o são. Para ser amada e preciso destruir a beleza vazia, mergulhar no risco, rachar a cara se preciso for. E não se preocupe com marcas deixadas pelo desejo. Os homens de boa linhagem amam  as mulheres marcadas pelas cicatrizes do desejo. Desde que elas se deixem cortar, suturar, cicatrizar novamente pela esperança recorrente de um dia serem amadas de verdade. Por algum homem de boa linhagem, é claro…

    Uma nova mulher cheia da poderes

    Apesar de menos sensíveis a estímulos sexuais periféricos, as mulheres parecem precisar muito de sexo também, talvez mais do que os homens.

    por Ney em 5 de março de 2012 | 16:54

    Apesar de menos sensíveis a estímulos sexuais periféricos, as mulheres parecem precisar muito de sexo também, talvez mais do que os homens. O sexo seria um ativador de centros neurológicos que desencadeiam a sensação de que são amadas e capazes de procriar. A falta de sexo, ao contrário, teria uma conotação fúnebre no universo feminino, transformando as mulheres em camaleões ávidos por conquistar homens capazes de levá-las para cama e reconduzi-las de volta ao mundo dos seres vivos e pulsantes outra vez.

    Mas só o sexo não parece ser suficiente para resolver os dilemas ancestrais de sobrevivência do universo feminino. Apesar de poderosas e independentes, as mulheres continuam a perseguir homens que as abracem com carinho e que, preferencialmente, casem com elas da maneira mais formal possível. Daí para frente, o sexo poderia perder parte da sua importância, posto que o ritual que as protegia de morrer secas nas planícies da pré-história foi de certa forma cumprido.

    De fato, algumas mulheres casadas parecem aceitar a falta de sexo com mais facilidade do que a maioria das solteiras. Talvez seja uma percepção equivocada, mas mulheres muito bem casadas eventualmente embarcam na abstinência sexual com uma naturalidade que chega a afrontar as regras básicas de sobrevivência da espécie. Por outro lado, são raras as mulheres solteiras que conseguem manter relações estáveis alicerçados em romances bem providos de sexo, mas que não cumpram os ritos clássicos do longo prazo.

    Apesar da sua crescente independência no mundo moderno, as mulheres parecem continuar valorizando os mesmos vínculos estáveis que garantiram sua sobrevivência no tempo das cavernas. A falta crônica e progressiva de bons parceiros, porém, poderá induzir o genoma feminino a rever essas prioridades com um relativo senso de urgência. É uma questão darwiniana banal. Há quem afirme, inclusive, que as mutações já estão em franco andamento e que as novas supermulheres sejam fáceis de identificar: andam cada vez mais bem vestidas, fazem toda sorte de cirurgias plásticas e vagam pela noite em bandos esquivos e silenciosos que ignoram solenemente a presença dos homens. Tratam o sexo com o desprezo de corpos em agonia.

    ALMA FLUÍDA

    A alma de uma mulher é fluída como um oceano que nos atrai para o fundo

    por Ney em 16 de fevereiro de 2012 | 16:12

    A alma de uma mulher é fluída como um oceano que nos atrai para o fundo. Navegada com arte, deixar-se-á cortar pelas proas que singram as águas profundas. A alma feminina também é dura e resistente como uma joia não lapidada, cuja beleza se esconde,  à espera. Açodada, encolherá, sem sucumbir, posto que é forte. Mas sofrerá com coisas banais. A alma de uma mulher renasce ao som de uma palavra, à sombra de um gesto. Se eu soubesse dessa fluidez salgada, teria soltado as amarras, cortado as espias, folgado os lançantes. Se eu soubesse dessa coisa tão banal, eu as teria amado melhor.

    Orgasmos simulados

    Será possível diferenciar o orgasmo feminino verdadeiro do simulado?

    por Ney em 15 de agosto de 2011 | 12:17

    Pergunto-me se é possível diferenciar o orgasmo feminino verdadeiro do simulado e poupar os homens da frase mais cabotina que a língua portuguesa jamais produziu – “Foi bom para você?”

    Pessoalmente, acho que existem  maneiras, é claro, a maioria de natureza tácita, baseadas na intuição e na experiência de cada um e sujeitas a equívocos  que devem fazer as mulheres se torcerem de tanto rir. Respostas objetivas, fruto do conhecimento médico sobre a sexualidade feminina, são lamentavelmente insuficientes. Não há no currículo acadêmico a ênfase que seria esperada para um assunto de tamanha importância.

    Os primeiros trabalhos um pouco mais aprofundados sobre o tema, os relatórios Kinsey, e o Hite, publicados entre 1948 e 1981 abriram algumas portas, mas não explicaram de forma consistente grande parte dos segredos que se escondem na extremidade do clitóris, onde cerca de oito mil terminações nervosas fazem um jogo difícil de dominar.

    Freud, na sua época, perdeu-se em divagações clitoridianas e vaginistas que só trouxeram mais confusão sobre a natureza controversa do orgasmo feminino, enquanto livros acadêmicos reverenciados pela psiquiatria contemporânea abordam aspectos críticos da sexualidade humana de forma absolutamente insuficiente e superficial.

    No entanto, o advento de novas tecnologias, como a ressonância magnética funcional e o “PET scan”, abriu oportunidades extraordinárias para analisar objetivamente as respostas cerebrais aos mais variados estímulos, inclusive os sexuais, instigando a comunidade científica a estudar o desempenho erótico das pessoas dentro dessas fantásticas máquinas de pega-mentira. Ali, a coisa é para valer, não dá para tapear mesmo. E as novidades começam a aparecer.

    Pelo desenrolar da história é possível imaginar que em muito pouco tempo teremos equipamentos construídos especificamente para conferir orgasmos femininos de forma mais consistente, provavelmente embutidos no telefone celular, com direito a prêmios ou descontos progressivos dependendo da performance do usuário. Seria só uma questão de tempo…

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    Os verdadeiros valores femininos

    “Quem gosta de homem é gay, mulher gosta mesmo é de dinheiro”. Será?

    por Ney em 31 de julho de 2011 | 15:27


    Não há nada mais inconsistente do ponto de vista filosófico do que a maioria dos ditados populares.  Como exemplo cito um que diz o seguinte: “quem gosta de homem é gay, mulher gosta mesmo é de dinheiro”. Meu Deus, tudo é possível, dinheiro é importante, mas não consigo acreditar que essa seja a prioridade número um na vida das mulheres.

    Também não é sexo, para quem já antecipava a possibilidade de forma precipitada. O cérebro feminino tem menos conexões dedicadas ao impulso sexual do que o masculino, dominado por ilações desse tipo durante a maior parte do tempo em que está desperto (sem falar no que possa acontecer quando está adormecido).

    Equipamentos de imagem comprovam que uma conversa banal entre um homem e uma mulher é capaz de estimular áreas sexuais do cérebro masculino de forma intensa, sem causar o menor efeito no cérebro feminino.

    Obviamente, o cérebro feminino também é extremamente sensível a toda sorte de estímulos, mas com um viés bem diferente do cérebro masculino. Ele responde de forma instintiva a qualquer estímulo que traduza risco para sua família. Essa é a prioridade. O cérebro feminino foi estruturado para assegurar a sobrevivência da espécie a qualquer preço e toda a mulher que tem filhos irá concordar com isso sem muita dificuldade. Os demais estímulos, inclusive os sexuais, que levam os homens a cometer desatinos capazes de aniquilar rapidamente o que construíram ao longo de toda uma vida, devem estar para as mulheres em um segundo plano absolutamente desprezível em relação à segurança e ao bem-estar dos seus filhos.

    Pode soar meio ridículo, mas em pleno século XXI as mulheres parecem continuar precisando de bons homens para serem estruturalmente felizes. Por esta razão, insisto em afirmar que o ditado popular acima mencionado é das coisas mais injustas de que já ouvi falar por aí. Não só deprecia a condição feminina, como interpreta de forma equivocada necessidades básicas na vida das mulheres: amor e proteção.

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    Sonhos eróticos

    Sexo também é ternura, uma coisa para ser feita com cuidado e muita delicadeza

    por Ney em 13 de julho de 2011 | 21:44

    Cento e sessenta e nove dólares por uma calcinha da Victoria‘s Secret? Pelo amor de Deus, cuida um pouco do patrimônio!

    Mas concordo contigo, valem a pena. São sensuais, ergonômicas e cheias de protetores que tornam o ato de experimentá-las uma operação absolutamente sem riscos do ponto de vista microbiológico.

    Sei que a maioria das mulheres acha isso superimportante porque odeiam falta de higiene. Também concordo. Sexo tem esse problema de higiene, o que faz com que elas se esfolem com esponjas de banho a cada perspectiva de um novo encontro.

    Para algumas mulheres, sexo é como ler Flaubert ao som de violinos. Precisa ser lindo e cheiroso, apesar da conhecida interferência dos perfumes na ação dos feromônios, esses cheiros afrodisíacos que os animais liberam quando ficam excitados. Mas quem vai acreditar nisso?

    Sexo também é ternura, uma coisa para ser feita com cuidado e muita delicadeza. Muitas exigem banho, barba feita e penteado antes de qualquer aproximação. Talvez exista um pouco de exagero nisso, mas não custa estar bem preparado, porque sexo é assim mesmo.

    Quanto à questão estética, sem comentários. Sexo é beleza pura e só combina com aquilo que esteja absolutamente integrado na tendência cirúrgica do dia, ainda que isso possa gerar desarmonia estética no longo prazo. Sexo é hoje e agora.

    Sexo também exige aqueles cuidados especiais com a liturgia de encerramento. Depois de terminar, é sempre interessante levar um papo legal, pródigo em palavras doces e românticas. Para fechar com chave de ouro, o clássico cigarrinho viria bem, mas o fumo caiu em desgraça e saiu completamente de moda.

    Tomadas pelo cansaço, a maioria das mulheres então rola para baixo das cobertas e cai num sono profundo, muitas vezes povoado de sonhos com aquele vagabundo que vende contrabando na frente do hotel, rústico e repelente, que nunca ouviu falar em Flaubert, que não toma banho, que não é terno nem educado, que causa repulsa e nojo, mas que, na leveza bela de sonho, acalma essa mulher carente com um sexo de rua, pervertido, selvagem, sem protocolos ou simulação.

    Sem querer ser irônico, espero que durmas bem essa noite e que tenhas bons sonhos.

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    Vergonha de querer colo

    Não te recrimines por seres tão vulnerável, por precisares tanto do colo de um homem.

    por Ney em 27 de junho de 2011 | 12:13

    E por favor, não te recrimines por esse desejo recorrente de ser novamente carregada no colo através de corredores escuros, aninhada como um pássaro das tempestades nas plumas de uma procelária. Não te recrimines pelos desejos de ser novamente capturada, subjugada, levada por uma mão masculina a varar furacões, mergulhar oceanos gelados. Não te recrimines por seres tão vulnerável, por precisares tanto do colo de um homem: tua fragilidade é evidente, afinal não és mais do que uma mulher carregada de hormônios sobre os quais não tens o menor controle.

    O dilema das mulheres

    Uma boa sucessão de aventuras não seria bem mais interessante?

    por Ney em 16 de junho de 2011 | 12:26

    Imagino-a abraçada no travesseiro, tentando adormecer, pensando no dilema. Ela ainda tem um ar de menina, mas é necessário que se apresse. Precisa encontrar logo um homem que a ame, um homem qualquer, não importa, pois, sem ele, não há como ingressar plenamente na comédia contemporânea. Então, tudo precisa ser planejado com muito cuidado, pois suas chances diminuem rapidamente, na proporção exata em que o tempo deforma seu corpo sem a menor piedade. Mas será isso o que ela realmente quer? Logo ela tão independente, moderna e poderosa? Uma boa sucessão de aventuras não seria bem mais interessante? Teoricamente sim. Ela sabe perfeitamente que sim. No entanto, seus instintos reclamam, gritam, enchem seus ouvidos ancestrais com mentiras deslavadas sobre o perfume das grinaldas. Ela sabe que são mentiras, bromas de quem quer uni-la a algum animal de longo prazo, a um homem que seja só seu, a uma mala que irá carregar pelo resto da vida. Mas finge acreditar. Afinal, esse é o grande troféu na zona de caça. Um bicho de longo prazo. O resto é libidinagem pura, coisa sem futuro. Mas ela não se desespera. Não há a menor razão para tanto. Ao seu redor existem bandos de mulheres na mesma situação. Ela percebe isso com enorme facilidade, sabe que não está sozinha. Então relaxa, abraça novamente o travesseiro e tenta adormecer, pensando no dilema…

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