por Mônica Vitória
Tudo bem. O desempenho dos atletas brasileiros nas Olimpíadas de Pequim pode não ter sido à altura das expectativas da torcida verde-amarela, mas uma coisa não podemos negar: nossas meninas fizeram bonito! Exemplos não faltam para ilustrar a garra e a superação das mulheres nesta edição dos Jogos. É só lembrar que foram delas dois dos três ouros conquistados pelo Brasil.
Mesmo sem as tão esperadas medalhas na ginástica artística, Daiane dos Santos, Daniele Hypólito, Jade Barbosa, Laís Souza, Ana Cláudia Silva e Ethiene Franco alcançaram um feito histórico em Pequim: pela primeira vez, a equipe se classificou para a final por equipes da modalidade. A pontuação das ginastas foi boa e garantiu a classificação olímpica inédita.
A medalha dourada também não veio para o futebol feminino, mas foi batalhada incansavelmente por Marta e companhia. Ao contrário do futebol masculino, tão ovacionado em terras tupiniquins e em todo o planeta, as superpoderosas dos gramados chegaram à final e souberam dar à prata um certo gostinho de vitória.
Não podemos esquecer também os bronzes valiosos que ganhamos pelas mãos femininas. Ketleyn Quadros tornou-se a primeira brasileira a obter medalha no judô, enquanto Natália Falavigna foi a primeira a subir no pódio no taekwondo. E o que dizer de Isabel Swan e Fernanda Oliveira, da vela? Elas são as primeiras mulheres dos 17 velejadores que já ficaram entre os três primeiros na história das Olimpíadas. A dupla ficou com a medalha de bronze na classe 470, ao vencer a última regata.
Quer mais? Que tal a seleção feminina de vôlei, que chegou desacreditada à China, quatro anos depois da fatídica derrota nas semifinais de Atenas? Pois elas fizeram questão de mostrar que não são apenas corpinhos bonitos e chegaram ao tão sonhado primeiro lugar - coisa que a seleção masculina, favorita e aclamada, não conseguiu. Mari, Fofão, Paula Pequeno e as demais meninas de ouro arrasaram na quadra e lavaram a alma!
Mas a maior vitoriosa dessas Olimpíadas talvez seja mesmo Maurren Maggi. A atleta garantiu o ouro no salto em distância, o que não acontecia com os brasileiros do atletismo desde 1984, e entrou para a história como a primeira mulher brasileira a subir ao lugar mais alto do pódio em esportes individuais. Tudo isso depois de amargar por cinco anos a lembrança da sua suspensão por doping. A sua volta e superação certamente foram coroadas de forma emocionante.
É... o esporte está aí para nos mostrar que feminilidade também é sinônimo de força de vontade!