12 de junho de 2007

Gente, vida de mãe não é fácil. Parece que conto sempre a mesma coisa, mas o pior é que não. As coisas é que se repetem sistematicamente, de uma forma inconveniente. Filhos são uma benção, uma glória, uma dádiva, uma criaturinha de luz e de paz. Seu filho, sua imagem e semelhança. Mas as pessoas que virão a tomar conta dele... ah, essas pessoas...

Antes de jogar a pílula fora, rasgar a tabelinha e encomendar o filho, peça, ore, encomende, contrate alguém de fé para cuidar dele. (Claro que isso se você não puder contar com os préstimos de uma supervó aposentada).

Ando pelejando, labutando, ralando com a falta dessa pessoa - em todos os sentidos dessas palavras. Largar filho nas mãos dos outros não é fácil. É um exercício de desprendimento absurdo, um treino para você se libertar de todos os valores materiais. Então, quando enfim você passa para a segunda fase, você consegue dar tchau e deixar uma mera estranha cuidando de seu bem mais precioso, eis que ela resolve ir embora e dizer que não te quer mais. Cansou da sua cara, da sua casa, da sua família, da sua vida e de seus problemas. Salário? Ah, isso é apenas um detalhe para quem vive no perrengue desde o útero. Posso estar sendo preconceituosa, errada, equivocada, mas infelizmente é isso que venho notando em relação à equipe de apoio doméstico. Lá em casa anda um entra e sai muito chato. Um desgaste para nós e para o Paulinho, que toda hora é passado de mãos que nem um bastão. Está pior do que a tocha do Pan...

Com essa dança dos bancos da cozinha, já tenho praticamente um manual de instruções do bebê pronto - folhas e folhas presas na geladeira, contendo informações de suma importância acerca da rotina de meu pequeno.

Ontem, mais uma passou a figurar no elenco lá de casa. Entoei o mantra de novo, entreguei a criança à Francisca, que podemos chamar de Neide, segundo ela, e vim trabalhar. Torço para que essa personagem da nossa história fique bastante capítulos! Ai, desculpe o desabafo!

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31 de maio de 2007

Oi gente! Tenho novidades... Nasceu o primeiro dentinho do Paulinho. Muito sofrimento, muita gengiva inchada, chorinho, mas eis que surge o primeiro dos moicanos - com um porém: em cima! Sim, contrariando as estatísticas dentárias da primeira idade, o pioneiro dentinho na gengiva nasceu em cima. Pensei: será que ele vai ficar que nem um coelho? Mas pensei em seguida: se ficar não tem problema - neném pode tudo e é lindo de qualquer jeito.

Mas, ontem à noite, verifiquei a boquinha dele e estou desconfiando pelo andar da dentição que o próximo da fila vai sair em baixo - acho que vai ficar uma coisa meio Tiririca (não lembra? Aquele cretino que cantava aquela música horrorosa "Florentina"). Mas, de novo, não tem problema: nosso filho é sempre lindo de qualquer maneira. E o Paulinho, não por ser meu filho, está um charme com aquele microdentinho... Com dois então...

As novidades não param aí. Nove meses depois de ele ter desembarcado neste mundo, ele também deu seu primeiro passo sozinho. Aliás, o dente e o passinho foram no mesmo dia e no dia dos seus nove meses - 23/05. Ontem, ele deu mais dois passinhos seguidos. É o tempo passa... Outro dia mesmo inaugurávamos este espaço para falar de gravidez, ultra, enxoval, tricô e chá de fralda. Hoje, já estou falando de primeiros passos.

***

Nesse meio tempo, entre dente, passos e fatos, tive que mudar a equipe de apoio - problemas para mim, que trabalho, e para o Paulinho, que teve que se adaptar a uma nova pessoa. Quando se tem um neném, isso é delicado em muitos sentidos. Confiança, segurança e até o tempero da comida influenciam. Mas acho que chega um momento que as relações trabalhistas-domésticas se desgastam, é um íntimo/profissional que pouca gente sabe levar. Fazer o quê? Até casamento acaba! O jeito é ir levando e o Paulinho tem feito isso muito bem - graças!

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21 de maio de 2007
  • Olha o meu príncipe!

Oi meninas, para começar a semana, vou deixar aqui um flagrante do meu príncipe. Ele está na torre do castelo do parquinho!
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14 de maio de 2007
  • Tomás, Marianna, Mateus e Paulinho

Oi, meninas! Para começar a semana, queria desejar feliz Dia das Mães a todas as mães leitoras deste Blog, leitoras do Bolsa, mães vistantes... Muita força, muita dedicação, muita paciência e muita saúde para agüentar os trancos que o coração leva - afinal, coração de mãe está sempre acelerado - seja de alegria ou de apreensão. O que compensa é que a causa é realmente nobre. Olha a minha equipe aí na foto.
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07 de maio de 2007

Oi gente! Paulinho fez seu début no mundo das viroses infantis. A que se apossou de seu corpinho e de meus nervos é conhecida pelo pitoresco nome de eczantema súbito - os sintomas são coriza, febrão e pintas pelo corpo. Como o coitadinho chorou... Passou de tudo na minha cabeça (dengue, sarampo, catapora) até o pediatra me dar o diagnóstico.

Mas o mais impressionante foi o movimento da primeira clínica pediátrica que o levei. Disse primeira porque o atendimento era impossível tal a lotação do saguão. Parecia uma rave infantil - mães, pais, babás, carrinhos, nenéns, crianças, avós, todo mundo ao som, claro, de muito choro, muito choro mesmo. Levei um susto! Pensei pronto, existe uma epidemia!

Dei meia volta com Paulinho no colo, ardendo em febre, e me mandei pra outro hospital menos badalado. Um sufoco! Chegando lá, ainda passei pelo sofrimento de ver o menino, já chorando pra caramba, tomar uma injeção antitérmica.

Dessa insólita experiência de mãe, ficou a pergunta no ar - junto com muitos vírus: por que as crianças ficam tão doentes nesta época? Para elucidar a questão e acalmar mães aflitas, fomos entrevistar o pediatra Antônio Carlos Seabra, nosso colunista.

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30 de abril de 2007
  • Meus Paulinhos

Oi gente! Quanto tempo... pois é, sei que ando devendo umas linhas, mas deixo para atualizar o blog no fim do dia, aí vai uma coisa, outra, e ele acaba ficando pra depois mesmo. Bom, mas hoje tem notícia e foto (ooobaaaa!!!!) Olha como ele tá grande! Às vezes, tenho a sensação de que não registro tanto os dias como deveria, porque esta fase do neném não passa rápido, passa a jato. Quando a gente vê... já está na adolescência.

Pior que isso não é exagero de mãe. Podemos notar essa passagem abrupta de tempo até com nossas vidas. Vai dizer que não era outro dia mesmo que você arrastava a lancheira no caminho para a escola? É... e hoje sai esbaforida, cedo, carregando a bolsa, cheia de contas a pagar.

Paulinho já está há oito meses aqui fora. Outro dia eu tinha oito meses de gravidez! Nesse meio tempo, ele rolou, sentou, engatinhou, ficou de pé e já está começando a querer dar uns passinhos - já ensaia um movimento e chega a ter a petulância de soltar as mãos, caindo sentado, obviamente. Nada que a fralda não amorteça. O moleque está tão cheio de atitude que lhe comprei até um All Star azul. Sim! Prometo, no próximo post, colocar o flagrante.
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03 de abril de 2007

A gripe do Paulinho, enfim, passou! Ufa... Ele já está se alimentando melhor e o nariz não está mais em cachoeira. Melhorou tanto que, nesse calorzão de outono que tem feito, não tive como negar a ele um mergulho na piscina.

Olha, que alegria! O bichinho fica que só vocês vendo, bate perna, bate mão, sorri de orelha a orelha na água. Sem corujice, ele é uma atração na piscina. Conhecidos e desconhecidos (que acabam se tornando conhecidos - nunca fui tão popular!) vêm falar com ele. Tem gente que não resiste e chega a pedir pra pegar um pouquinho no colo - e nem é mulher! Homem mesmo!

Como o sol não anda dando trégua, e ele já passou dos seis meses, teve até direito a Sundown. O dentinho é outro que ameaça, ameaça e não nasce. Ele coça, morde o nosso rosto, morde os brinquedos, mas dente que é bom, nada!
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27 de março de 2007

Oi meninas! Ah, Paulinho teve sua primeira gripe - primeira e arrasadora, pois pegou o bichinho de jeito, tadinho... Como ele é alérgico, as conseqüências foram potencializadas. Muita tosse, nariz entupido, dificuldade para respirar. Fizemos até uma estréia na emergência de uma clínica pediátrica de madrugada. Bom, depois de longos e tenebrosos dias e noites, hoje ele dormiu e acordou melhor. Enfim, os medicamentos começaram, de fato, a fazer efeito e a bandida já está deixando meu filho em paz.

Lá em casa, todo mundo tombou dessa gripe, ele foi o último dos moicanos, resistiu bravamente.
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21 de março de 2007

Oi gente! Título estranho? Eu me explico.

Tenho andado atarefada por demais, essa vida de mãe de criança pequena não é mole não! Não culpo ele. Afinal, ele não tem culpa. Necessita de todos os cuidados do mundo. Quem me dera poder dar todos... São as contingências do destino.

Cheguei à conclusão que não disponho mais do meu tempo, da minha vida. Todos os minutos da minha existência são dedicados a fazer alguma coisa para alguém ou para resolver um problema - de um vazamento cretino a um infeliz inventário passando por crianças com febre. Sem contar o horário comercial, que estou trabalhando (ainda bem!!!!!!).

Não, mentira, eu ainda tomo banho! Tenho direito a cinco minutos por dia - não ininterruptos, já que sempre tem um que bate na porta do banheiro para falar ou querer alguma coisa, enquanto eu estou no chuveiro - para uma higiene básica - xampu, sabonete e enxágüe. O uso de cremes e condicionadores foi abolido.

A minha prioridade não sou mais eu - impressionante. Não que eu seja uma samaritana descalça, que abre mão da vida em prol do bem de outrem. Estou impressionada é como a vida enreda a gente nas suas tramas, como ela leva a gente. Você simplesmente tem que seguir, sem parar, seu turbilhão, sem pensar. Porque, se titubear, tropeça e, talvez, caia - caia em depressão, desespero, agonia e mais em todas as emoções que moram dentro de nós e estão na espreita para nos levar também.

É, a sensação que eu tenho, é que o jogo começou agora. Agora é pra vale e eu estou por minha conta e tem muita gente nela também. Chega de brincar de viver.

* Apesar de eu não ter jardim, a sensação é essa: que pepinos se proliferam nele que nem praga!

***
Bom, mas nem tudo são espinhos - ou pepinos. Paulinho está uma coooooisa gostosa. Desconfio que ele esteja começando a fazer má-criação. Ao ter objetos, que não são da sua alçada, retirados da sua mão, ele se manifesta batendo os braços e dando um gritinho. Tá, tá certo, agora é fofo, mas mais tarde... Eu só estou achando engraçado como um ser humano tão pequeno já demonstra descontentamento. E dessa vez não é por um motivo orgânico - como fome, sede ou fralda suja - é vontade mesmo.

***
Falando em dramas, tramas, destinos... Vocês leram o último capítulo da novela "A outra"? Uma coisa meio suspense, né? Agora vamos aguardar a outra história.
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08 de março de 2007
  • Meu pai, Mario Jorge, e Paulinho.

Olá meninas! Antes de começarmos o papo, queria dar parabéns a todas pelo dia de hoje - o Dia Internacional da Mulher. Apesar de que, aqui, no Bolsa, todo dia é dia de mulher. Há tempos que não escrevo, vida corrida. O último post (muito triste por sinal, sobre a crueldade com o menino João Helio) tem um mês, desde aquele dia, não fui mais a mesma.


Naquele mesmo dia, sai do trabalho normalmente - apesar do pesar - e fui para casa louca para ver meus filhos. Cheguei até lá. Beijei-os e fiz algumas tarefas maternais. Aí, o telefone tocou. Era minha mãe, me avisando que meu pai estava internado no CTI - pressão alta.

Imediatamente fui para o hospital, apesar de ela me avisar que as visitas só ocorreriam no dia seguinte. Não quis saber. Queria estar lá, falar com alguém, implorar, de joelhos, para apertar por um segundo sua mão e fazer com que ele visse que eu estava ali. Segurando as pontas. Meu irmão fez a mesma coisa, meus tios, seus irmãos, também. E olha que são oito. Era gente à beça esperando uma oportunidade de um tchauzinho da porta do CTI.

As notícias não chegavam. Tudo era vago. E nós não arredávamos pé. Eles, os médicos, por sua vez, não nos enxotaram dali. Plantão na porta do CTI tarde da noite não é muito conveniente. Horas de agonia, desespero, oração e pouca, muito pouca, notícia. "está melhorando", "está instável", "temos que ver a evolução do quadro nas próximas horas". Bom, isso não diz muito, ainda mais para uma família inteira aflita. Não sei sinceramente se o procedimento correto do hospital deve ser esse. O de excluir os parentes dos fatos. O diagnóstico era hipertensão com edema pulmonar agudo. Ponto.

O fato é que as próximas horas de evolução (foram poucas) mudaram completamente nossa vida. Meu pai faleceu na primeira hora da madrugada. Nunca pensei em passar por isso. Aliás, sei que ninguém pensa. Sabemos que a morte é a única certeza da vida, mas deixamos para pensar nela no futuro - longínquo, claro! No nosso caso, este futuro veio cedo. Meu pai tinha 56 anos, era esportista, cheio de planos, e feliz.

Estava mais contente do que nunca, tinha ganho um neto - ele amava a Marianna, era tratada por ele como uma princesa, mas fanático por futebol do jeito que era, um menino realizaria seus sonhos. Ele colocava o Paulinho para ninar cantando o hino do Botafogo (uma de suas paixões, sua fonte de sofrimento e alegria), baixinho, pois o Paulinho Pai é vascaíno (apaixonado também, sofredor idem) - iria também se formar em Direito este ano (meu pai era biólogo, doutor em genética, se aposentou e voltou para o banco da universidade na maior humildade, estudar era sua outra paixão).

Tudo estava na mais perfeita ordem em nossa vida. Mas o destino quis que tudo saísse dos trilhos. Passei esse período calada, sem querer falar de mim, sem querer lembrar de mim. Sentar em frente à tela do computador e pensar no que escrever te remete à sua rotina, aos seus acontecimentos, e esta não era a história que eu queria contar. Hoje, até canalizo a dor escrevendo um pouco. Escrevo aos amigos, aos tios, aos primos, esperando que alguém me mande a resposta que eu quero (ou não quero. Queria tudo como antes, mesmo que tudo esteja escrito nas estrelas).

Mas vou caminhando... Catando os cacos. Sempre precisamos seguir em frente.

Neste meio tempo, aconteceram coisas boas. Um breve resumo:

- Paulinho começou a sentar
- Paulinho começou a engatinhar
-Paulinho começou a ficar em pé no berço, levantando sozinho!!!

Muito danado esse menino!

* a foto é da primeira festinha de aniversário que ele foi, dia 21 de janeiro. Meu pai, com ele na foto, estava todo bobo!
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