Gente, vida de mãe não é fácil. Parece que conto sempre a mesma coisa, mas o pior é que não. As coisas é que se repetem sistematicamente, de uma forma inconveniente. Filhos são uma benção, uma glória, uma dádiva, uma criaturinha de luz e de paz. Seu filho, sua imagem e semelhança. Mas as pessoas que virão a tomar conta dele... ah, essas pessoas...
Antes de jogar a pílula fora, rasgar a tabelinha e encomendar o filho, peça, ore, encomende, contrate alguém de fé para cuidar dele. (Claro que isso se você não puder contar com os préstimos de uma supervó aposentada).
Ando pelejando, labutando, ralando com a falta dessa pessoa - em todos os sentidos dessas palavras. Largar filho nas mãos dos outros não é fácil. É um exercício de desprendimento absurdo, um treino para você se libertar de todos os valores materiais. Então, quando enfim você passa para a segunda fase, você consegue dar tchau e deixar uma mera estranha cuidando de seu bem mais precioso, eis que ela resolve ir embora e dizer que não te quer mais. Cansou da sua cara, da sua casa, da sua família, da sua vida e de seus problemas. Salário? Ah, isso é apenas um detalhe para quem vive no perrengue desde o útero. Posso estar sendo preconceituosa, errada, equivocada, mas infelizmente é isso que venho notando em relação à equipe de apoio doméstico. Lá em casa anda um entra e sai muito chato. Um desgaste para nós e para o Paulinho, que toda hora é passado de mãos que nem um bastão. Está pior do que a tocha do Pan...
Com essa dança dos bancos da cozinha, já tenho praticamente um manual de instruções do bebê pronto - folhas e folhas presas na geladeira, contendo informações de suma importância acerca da rotina de meu pequeno.
Ontem, mais uma passou a figurar no elenco lá de casa. Entoei o mantra de novo, entreguei a criança à Francisca, que podemos chamar de Neide, segundo ela, e vim trabalhar. Torço para que essa personagem da nossa história fique bastante capítulos! Ai, desculpe o desabafo!
Oi gente! Tenho novidades... Nasceu o primeiro dentinho do Paulinho. Muito sofrimento, muita gengiva inchada, chorinho, mas eis que surge o primeiro dos moicanos - com um porém: em cima! Sim, contrariando as estatísticas dentárias da primeira idade, o pioneiro dentinho na gengiva nasceu em cima. Pensei: será que ele vai ficar que nem um coelho? Mas pensei em seguida: se ficar não tem problema - neném pode tudo e é lindo de qualquer jeito.
Mas, ontem à noite, verifiquei a boquinha dele e estou desconfiando pelo andar da dentição que o próximo da fila vai sair em baixo - acho que vai ficar uma coisa meio Tiririca (não lembra? Aquele cretino que cantava aquela música horrorosa "Florentina"). Mas, de novo, não tem problema: nosso filho é sempre lindo de qualquer maneira. E o Paulinho, não por ser meu filho, está um charme com aquele microdentinho... Com dois então...
As novidades não param aí. Nove meses depois de ele ter desembarcado neste mundo, ele também deu seu primeiro passo sozinho. Aliás, o dente e o passinho foram no mesmo dia e no dia dos seus nove meses - 23/05. Ontem, ele deu mais dois passinhos seguidos. É o tempo passa... Outro dia mesmo inaugurávamos este espaço para falar de gravidez, ultra, enxoval, tricô e chá de fralda. Hoje, já estou falando de primeiros passos.
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Nesse meio tempo, entre dente, passos e fatos, tive que mudar a equipe de apoio - problemas para mim, que trabalho, e para o Paulinho, que teve que se adaptar a uma nova pessoa. Quando se tem um neném, isso é delicado em muitos sentidos. Confiança, segurança e até o tempero da comida influenciam. Mas acho que chega um momento que as relações trabalhistas-domésticas se desgastam, é um íntimo/profissional que pouca gente sabe levar. Fazer o quê? Até casamento acaba! O jeito é ir levando e o Paulinho tem feito isso muito bem - graças!
