por Marcella Brum
Olá meninas! Ontem à noite, vendo o jornal, assisti à brilhante cobertura que nossa imprensa está fazendo do Parapan. Muito bonito o respeito e admiração que todos têm mostrado a esses superatletas. Eles merecem isso e muito mais - da sociedade, do governo, dos clubes. Enfim...
Mas, meu assunto não é bem esse, vendo as provas, as medalhas e as entrevistas com os atletas, me deparei com o novo fenômeno das águas Daniel Dias - que ganhou elogios até de Clodoaldo Silva - para-atleta e orgulho nacional nas piscinas e fora delas. O menino, medalha de ouro, nasceu com paralisia, mas, anos mais tarde estava lá, na luta por um lugar ao pódio, e sua mãe, na arquibancada, na torcida.
Fico imaginando o que não passou na cabeça daquela mãe, assistindo a volta por cima que ela e seu bebê deram na vida. Perguntada pelo que sentia, ela respondeu de uma forma singela, mas que expressava tudo o que aquele momento significava para eles. "Ele nasceu tão pequenininho... Hoje, está aí, um homem forte, valente!" Precisa dizer mais? Senti orgulho não só desse superatleta, mas também dessa supermãe!
Imagino o quanto deve ser difícil sair da maternidade com uma criança nos braços diferente da que os nossos sonhos criavam desde a mais remota infância. Acordar à força deles não deve ser fácil. Mas, como há uma criança como outra qualquer precisando mamar, trocar fraldas, dormir e ser amada também, essas mães esquecem o que passou e passam a pensar no futuro. A pensar que seu filho precisa ser feliz e a ela cabe lhe dar os meios. Como acontece com qualquer relação mãe e filho.
Não falo isso conjecturando, falo, porque tive a felicidade de ter um exemplo de uma supermãe assim perto. Minha tia Zezé, mãe das minhas primas Tatiana e Gabi (que tem síndrome de down). Tia Zezé nunca deu um sorriso diferente para cada uma das filhas, nunca dispensou menos ou mais atenção, nunca reclamou da sorte ou se mostrou infeliz com sua missão. Ela já não está mais por aqui, por tudo que fez e foi, deve estar em algum lugar muito privilegiado. Deixou muitas lições, como esta que conto, e muitas saudades.
