Blog da Marcella


Estou aqui!
  • Meu pai, Mario Jorge, e Paulinho.
Olá meninas! Antes de começarmos o papo, queria dar parabéns a todas pelo dia de hoje - o Dia Internacional da Mulher. Apesar de que, aqui, no Bolsa, todo dia é dia de mulher. Há tempos que não escrevo, vida corrida. O último post (muito triste por sinal, sobre a crueldade com o menino João Helio) tem um mês, desde aquele dia, não fui mais a mesma.


Naquele mesmo dia, sai do trabalho normalmente - apesar do pesar - e fui para casa louca para ver meus filhos. Cheguei até lá. Beijei-os e fiz algumas tarefas maternais. Aí, o telefone tocou. Era minha mãe, me avisando que meu pai estava internado no CTI - pressão alta.

Imediatamente fui para o hospital, apesar de ela me avisar que as visitas só ocorreriam no dia seguinte. Não quis saber. Queria estar lá, falar com alguém, implorar, de joelhos, para apertar por um segundo sua mão e fazer com que ele visse que eu estava ali. Segurando as pontas. Meu irmão fez a mesma coisa, meus tios, seus irmãos, também. E olha que são oito. Era gente à beça esperando uma oportunidade de um tchauzinho da porta do CTI.

As notícias não chegavam. Tudo era vago. E nós não arredávamos pé. Eles, os médicos, por sua vez, não nos enxotaram dali. Plantão na porta do CTI tarde da noite não é muito conveniente. Horas de agonia, desespero, oração e pouca, muito pouca, notícia. "está melhorando", "está instável", "temos que ver a evolução do quadro nas próximas horas". Bom, isso não diz muito, ainda mais para uma família inteira aflita. Não sei sinceramente se o procedimento correto do hospital deve ser esse. O de excluir os parentes dos fatos. O diagnóstico era hipertensão com edema pulmonar agudo. Ponto.

O fato é que as próximas horas de evolução (foram poucas) mudaram completamente nossa vida. Meu pai faleceu na primeira hora da madrugada. Nunca pensei em passar por isso. Aliás, sei que ninguém pensa. Sabemos que a morte é a única certeza da vida, mas deixamos para pensar nela no futuro - longínquo, claro! No nosso caso, este futuro veio cedo. Meu pai tinha 56 anos, era esportista, cheio de planos, e feliz.

Estava mais contente do que nunca, tinha ganho um neto - ele amava a Marianna, era tratada por ele como uma princesa, mas fanático por futebol do jeito que era, um menino realizaria seus sonhos. Ele colocava o Paulinho para ninar cantando o hino do Botafogo (uma de suas paixões, sua fonte de sofrimento e alegria), baixinho, pois o Paulinho Pai é vascaíno (apaixonado também, sofredor idem) - iria também se formar em Direito este ano (meu pai era biólogo, doutor em genética, se aposentou e voltou para o banco da universidade na maior humildade, estudar era sua outra paixão).

Tudo estava na mais perfeita ordem em nossa vida. Mas o destino quis que tudo saísse dos trilhos. Passei esse período calada, sem querer falar de mim, sem querer lembrar de mim. Sentar em frente à tela do computador e pensar no que escrever te remete à sua rotina, aos seus acontecimentos, e esta não era a história que eu queria contar. Hoje, até canalizo a dor escrevendo um pouco. Escrevo aos amigos, aos tios, aos primos, esperando que alguém me mande a resposta que eu quero (ou não quero. Queria tudo como antes, mesmo que tudo esteja escrito nas estrelas).

Mas vou caminhando... Catando os cacos. Sempre precisamos seguir em frente.

Neste meio tempo, aconteceram coisas boas. Um breve resumo:

- Paulinho começou a sentar
- Paulinho começou a engatinhar
-Paulinho começou a ficar em pé no berço, levantando sozinho!!!

Muito danado esse menino!

* a foto é da primeira festinha de aniversário que ele foi, dia 21 de janeiro. Meu pai, com ele na foto, estava todo bobo!

» 9 comentários no post:
  • rosangela1967_7_canceriana às 15:35:16 de 09/03/2007
    “... tenho essa mesma sensação com relação ao meus filhos.. pois eu saio de casa as 6:30 e retorno as 18:30, e tenho a impressão que não consigo cuidar bem deles... reprendo, brigo por que não fizeram o tema, tem que tomar, banho, não escovam os dentes direito... não comem direito...”
  • rosangela1967_7_canceriana às 15:36:40 de 09/03/2007
    “tenho a sensação de ser uma péssima mãe... cansada, descontrolada, trabalho que nem uma louca... e quase não vivo pros meus filhos, maridos, pais.
    Desculpa o desabafo... mas aproveitei o gancho da perda da amiga e desabafei.”
  • rosangela1967_7_canceriana às 15:36:57 de 09/03/2007
    “Bjus e bom final de semana!”
  • lucianaagg às 13:48:52 de 12/03/2007
    “Não é fácil perdermos pessoas queridas.
    Mas, devemos orar... pedir para que Deus ilumine, tanto quem já se foi... quanto para quem fica... força!”
  • amoroso63 às 19:02:14 de 05/04/2007
    “desejava saber mais e parabens pela força que tiveste um beijo”
  •       ...veja os demais no fórum!


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