Oi, meninas! Hoje acordei como de costume, muito cedo, ainda escuro, com o despertar do Paulinho. Cheia de sono e torcendo sempre para que ele durma de novo, abro os olhos e dou aquela espiada no berço, não tem jeito, ele está realmente disposto a começar o dia. Diante de seu sorriso ao me notar, eu me rendo, claro. Coço os olhos e o pego no colo. Apesar do cansaço, olho aquele nenenzinho, meu filho, e vejo como sou apaixonada por ele, como sou feliz por ele ser lindo e saudável, como tenho medo de que algum mal aconteça a ele - tão frágil e indefeso. Temos que lutar contra os nossos medos, tirá-los da cabeça, fingir que não existe ameaça, porque com medo não se vive e tenho outros filhos que já circulam por aí sozinhos.
Tomo café, corro para me arrumar, acompanho a sua colação (papinha de fruta) no colo da Zilda (nossa escudeira) e parto para o trabalho, não sem antes dar aquele beijinho. Um dia como outro qualquer. No caminho, leio jornal. Já na primeira página, começo a me arrepiar com tanta crueldade, tanta monstruosidade. A notícia? Foi desbaratada uma quadrilha internacional de pedofilia. Vídeos com estupro de crianças de 5 anos (!!!!!). Lendo, o horror foi imediato, os policiais diziam na reportagem que as cenas eram chocantes. Fiquei arrepiada, pensando que ser humano, que já foi criança (todos foram), que seja pai (muitos devem ser), faz isso com uma criança? Explicações psicológicas tentam muitas vezes explicar o inexplicável: a maldade humana. Enfim, chocada, sinto de novo o arrepio e penso nos meus filhos. A leitura continua. Assaltos, assassinatos, fraudes - assuntos rotineiros.
Chegando ao trabalho, dou bom dia e sou recebida com caras de espanto. Vejo que alguns colegas estão na frente do computador olhando alguma coisa ruim e na mesma hora me perguntam: "Você viu a história da criança?", eu respondo "Qual? Aquele bebê que teve o dedo cortado pela enfermeira? (Sim! Ontem eu também soube desse caso horroroso...) Bom, não era essa. Era ainda pior, pois a criança não sobreviveu à sua desgraça.
A criança era um menino de 6 anos, chamado João Hélio, e sua mãe foi rendida ao volante do seu carro numa rua do subúrbio do Rio de Janeiro - violência, infelizmente, corriqueira nos dias de hoje na Cidade já conhecida como Maravilhosa.
Mas o menino ficou preso ao cinto de segurança do carro. Fato nada relevante para os ladrões, que o arrastaram por várias ruas, cerca de sete quilômetros, chegando a ziguezaguear com o carro na tentativa de se livrar dela. A barbárie foi acompanhada com terror pelas pessoas na rua, muitas até pensaram se tratar de um boneco, tal a surrealidade da situação. Mas era, sim, uma criança, era, sim, o filho de alguém, era um menino que foi completamente destruído por monstros, que nem o filme de terror mais macabro seria capaz de reproduzir.
Gente, aonde vamos parar? O que é isso? O que essa família vai fazer da vida na face da Terra? O que pensar? Você planeja, gera, cuida, embala, dá amor, reza pedindo proteção, e um terrível dia cruza com demônios da pior espécie que tratam seu filho como um pedaço de ferragem pendurada... É difícil ter palavras, é difícil se colocar no lugar desta mãe - que deve, como eu, ter acordado cedo tantas manhãs para pegar seu filho no colo, que deve ter o beijado tantas vezes pensando como ele era lindo e saudável, que deve ter ficado feliz tantas vezes com o simples sorriso dele - desta família, desta criança que tanto sofreu. Acho que para todos nós, que temos algum sentimento, só sobram indignação, revolta, medo... e as lágrimas...