O Uruguai promove seus vinhos dia 4 de abril, uma segunda-feira, no Sheraton do Rio, com uma apresentação de bodegas importantes, seguida de degustação. Seus vinhos hoje têm tudo para igualar-se aos da Califórnia, Chile, Argentina, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. Os produtores uruguaios rapidamente encontraram na uva francesa Tannat um veio para vinhos potentes, de grande qualidade. Um achado equivalente ao da Malbec pelos argentinos, da Shiraz pelos australianos e da Pinot Noir e Sauvignon Blanc pelos neozelandeses. Vinhos de grande qualidade que não perderam a personalidade ao se adaptaram a novas terras.
Mas além de tornarem-se especialistas nessa uva, os uruguaios vêm modernizando o setor. A partir de 1990, por exemplo, aparecem os tanques de aço inoxidável. O país produz em média um milhão de hl de vinhos anualmente, exporta algo em torno de 4 milhões de litros de vinhos anuais, sendo que praticamente a metade é comprada pelo Brasil, seu principal cliente.
O uruguaio está hoje entre os 10 maiores consumidores mundiais de vinho, com 33,5 litros anuais per capita - todo mundo consumindo principalmente os seus fortes Tannats.
Lã e carne bovina ainda dominam a economia do país. Só a partir dos anos 80 é que a vinicultura aparece como fonte de divisas de importância.
Tem 9 mil hectares plantados em solo argiloso e calcário, sob um clima temperado e úmido. Apesar de muita chuva, durante a colheita, entre fevereiro e março, há estiagem.
A cepa Tannat no Uruguai é um acaso. O imigrante Pascual Harriague, um basco francês, conseguiu mudas da uva de um conterrâneo seu, na Argentina, por volta de 1870. O cultivo da Tannat rapidamente se espalhou que a cepa acabou conhecida pelo nome de Harriague.
Mas lá se plantam também outras variedades, como a Sauvignon Blanc, Chardonnay, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Riesling, Gewürztraminer e até a Viognier. Uma outra especialidade de sua vinicultura é a Vidiella, uma forma de Folle Noire.
O acontecimento é promovido pelo INAVI - Instituto Nacional de Vitivinicultura do Uruguay – e por Bodegas de Uruguay.
As seguintes vinícolas estarão apresentando seus vinhos: Ariano Hermanos, Bodega Bouza, Bruzzone Y Sciutto, Carlos Pizzorno, Castel Pujol-Bodegas Carrau, Castillo Viejo, Dante Irurtia, De Lucca, Los Cerros de San Juan, Juan Toscanini e Hijos, Juanico, Montes Toscanini, Nelson H. Stagnari e Pisano.
Essa será a quinta apresentação de vinhos uruguaios no país e acontecerá apenas no 4 de abril, das 15 às 21 horas, no Sheraton Leblon, São Gávea (Av. Niemeyer, 121).
Agora, se você for a essa degustação, só saia de casa depois de bem alimentada, com o estômago devidamente forrado. E vá de carona, arrume um motorista que seja abstêmio. Ou vá de táxi, ônibus. Mas não dirija – depois da degustação, claro.
Numa prova profissional, temos cuspidores à disposição – aqueles baldes especiais para deitarmos fora o vinho que está em nossa boca.
Mas na maioria desses eventos, não diretamente dirigidos a degustadores profissionais, é improvável que disponhamos desses cuspidores. Temos que beber o vinho mesmo.
Tomemos o caso da degustação dos vinhos uruguaios. Serão apresentados vinhos de 15 vinícolas. Caso você consiga o improvável, ou seja, provar apenas um vinho de cada bodega, consumirá 15 taças, com pequenas porções de vinho, que modestamente consideramos equivalentes a 8 taças regulares. É muito vinho colocado em seu sistema num espaço de mais ou menos duas horas. É muito pouco tempo. Logo, não dirija. E beba água após cada taça de vinho. Isso vai hidratá-la, além de evitar que os sabores da primeira taça se confundam com os da segunda – e assim por diante.
Cheire o vinho, em primeiro lugar. Coloque a taça no balcão, gire-a gentilmente (o balcão estará servindo de apoio mais seguro; você pode até fazer isso segurando a taça, mas se não tiver prática, arrisca salpicar de vinho os seus vizinhos). Isso ajudará a que os aromas naturais do vinho sejam liberados. Aproxime a taça de seu nariz e dê uma boa inalada.
Você gosta de vinhos, está ali para conhecer novos rótulos, novas uvas, novos blends. Não precisa se preocupar com as palavras para descrever os aromas percebidos por essa inalada. Isso é coisa para os críticos de vinhos, que têm um vocabulário todo especial, muitas vezes lotado de pernosticismos intraduzíveis ou ridículos. Apenas force um pouco a sua memória: você pode perceber desde aromas de chocolate, baunilha, de grama, de frutas, de flores, de ervas, especiarias, de leite, manteiga e até mesmo de suor, papelão mofado, xixi de gato, óleo diesel. Enfim, quanto mais aromas você detectar, melhor o vinho perceber. Nesses casos, os críticos chamam o vinho de complexo. Ele é mais rico, tem mais qualidades.
O vinho talvez seja a única bebida a proporcionar tanto prazeres intelectuais quanto sensoriais. Deixe os gostos intelectuais com os esnobes, por enquanto, e se entregue aos seus sentidos, treine-os.
Bom, você já deu aquela aspirada e percebeu um punhado de aromas. Já pode provar? Não, ainda não. Antes, coloque a taça de volta no balcão e agite-a novamente. Mais ar fará contato com a bebida e isso permitirá que você examine melhor a sua cor, sua transparência e clareza.
Os vinhos não devem apresentar-se enevoados. Devemos poder ver até o outro lado da taça. Em alguns deles, você notará algumas partículas, sedimentos naturais de um vinho que não foi filtrado, pois o produtor procurou não retirar elementos naturais da bebida. Normalmente, esses sedimentos não representam problemas. Para melhor examinar a sua cor (repare na variação de cores, do centro da taça para a borda), coloque a taça contra um guardanapo imaculadamente branco, evitando que outras cores (do balcão, das luzes etc.) alterem a do vinho.
No caso da especialidade uruguaia, vinhos com a uva Tannat, repare que rubro profundo, quase negro. Uma beleza.
Agora, sim, está na hora de provar um pouco do vinho. Faça a bebida girar em sua boca, praticamente bochechando. Os melhores vinhos vão liberar diferentes sabores. Numa segunda provada, você poderá descobrir mais detalhes, como adstringência, acidez, presença maior ou menor de açúcar e álcool. Fique apenas no bocejo. Vai pegar muito mal se você gargarejar.
Para encerrar, não tema em fazer perguntas. Os produtores, os representantes das vinícolas estão ali preparadíssimos para tirar quaisquer dúvidas. E farão isso com imenso prazer.
Depois, chame o motorista e volte pra casa, com memória ainda cheia dos sabores, aromas e cores que uma simples taça pode oferecer. O vinho é isso: um calidoscópio de prazeres numa só garrafa. Nenhuma outra bebida se compara. Aquela ida a uma degustação, que você estava pensando ser uma chatice vai se provar mais animada do que um parque de diversões.
Se quiser maiores informações sobre a apresentação dos vinhos uruguaios, fale com a Aline, da Cristina Neves Comunicação & Eventos: (11) 5092-3247/48 ou pelo aline@cristinaneves.com.br
Eu não deixaria de conhecer os bons vinhos do nosso vizinho.
Se tiver mais perguntas sobre degustação de vinhos, clique para o Bolsa de Mulher ou para a Soninha, no soniamelier@terra.com.br



