Antes de usar toda a força de seus pulmões gritando gol (ou xingando o Felipão), beba uma taça de vinho. Ela vai dar uma senhora força a eles, além de melhorar o seu ânimo para acordar de madrugada e torcer pela nossa seleção.
O crescente poder curativo dos vinhos é talvez o principal fato relacionado às bebidas alcoólicas nos tempos modernos. Por isso, volta-e-meia tocamos no assunto. Também, pudera! Pesquisas científicas despejam novidades sem parar – excelentes todas elas – sobre as qualidades terapêuticas da bebida. Só nos resta deixar a querida leitora bem informada e, claro, com saúde.
As mais recentes falam que os vinhos são ótimos para combater gripes, preservar nossos pulmões e a proteger-nos do câncer. Até a cidra, o vinho feito de maçã (e que tem pouquíssimo prestígio no Brasil) tem qualidades antioxidantes semelhantes às dos vinhos.
Vinho branco para respirar melhor
Cientistas da Universidade Estadual de Nova York, em Buffalo, completaram um grande estudo que demonstra que as pessoas que bebem preferencialmente o vinho branco têm uma função pulmonar maior do que aqueles que só consomem o tinto. Atenção, que tanto o branco quanto o tinto são saudáveis para a função pulmonar. Só que o branco é mais. Esses dois grupos, inclusive, se comparam com o das pessoas que não bebem vinho – grupo que não registra qualquer melhora na função pulmonar.
Os vinhos brancos e tintos têm concentrações altas de polifenóis e flavonóides - antioxidantes poderosos que operam no sabor da bebida. Mas que, acreditam os pesquisadores, podem proteger o tecido pulmonar de radicais livres – partículas muito pequenas que, com o tempo, danificam nossos tecidos.
Esse estudo, que envolveu 1.555 adultos, é o mais recente a demonstrar que o vinho bebido com moderação pode ser importante para a sua saúde. Desse total, aqueles que só bebem vinho branco apresentaram uma melhor função pulmonar 3% melhor do que a do grupo dos abstêmios. A função pulmonar dos que só bebem vinho tinto é 1,5% melhor do que a dos não bebedores.
O cientista Holger Schunemann, que liderou a pesquisa, apresentou seu trabalho na Sociedade Americana de Tórax. Diz um dos presentes, o pesquisador Peter Wagner, da Universidade da Califórnia, que o estudo sugere que “beber vinho moderadamente retarda a deterioração dos tecidos pulmonares por até três anos”. Homens e mulheres foram pesquisados quanto aos seus estilos de vida, padrões dietéticos e particularmente com relação à quantidade e aos tipos de bebidas alcoólicas consumidas nos últimos 30 dias e ao que estimativamente andaram bebendo na última década.
Os pesquisadores mediram aspectos relativos à respiração e à capacidade pulmonar dos pesquisados – o que serve como indicador da saúde em geral. “A função pulmonar é também um forte indicador de doenças cardíacas”, lembra o Dr. Schunemann. Aspectos como hábitos de fumar, de comer e o peso dos pesquisados foram considerados. Diz o PhD que “quem bebe vinho branco provavelmente tem hábitos alimentares mais saudáveis, quase que certamente não fuma e, na maioria dos casos, são mulheres”.
O pesquisador acha que se tomando apenas suco de uva o resultado não seria tão eficiente quanto aquele consumido com o vinho, pois no processo de sua produção muito mais antioxidantes se juntam à solução final. Essa pesquisa foi patrocinada pela Associação Americana do Pulmão e pelo Instituto Nacional do Alcoolismo e Abuso de Álcool. Coisa séria, gente.
É gripe? Tome vinho!
Bem, agora que você tomou vinho branco para melhorar suas funções pulmonares, pode alternar com vinho tinto e proteger-se dessa onda de gripe que chegou com a mudança de estação.
A pesquisa, desta vez, foi conduzida pelos espanhóis da Universidade de Compostela. Se bebermos duas taças de vinho por dia, afirma esse estudo, estaremos nos prevenindo eficazmente contra gripes. “E esse resultado é mais forte com os vinhos tintos”, afirma o pesquisador-chefe, Dr. Bahi Takkouche, professor de epidemiologia daquela universidade.
O levantamento durou de outubro de 1998 a setembro de 99 e envolveu 4.287 alunos, professores e funcionários de cinco universidades da região da Galícia e das Ilhas das Canárias. A cada 12 meses, os participantes (todos numa faixa de 21 a 69 anos) preenchiam questionários relativos aos seus hábitos de beber e fumar, entre outros fatores. Foram excluídos da pesquisa as pessoas com um histórico médico envolvendo doenças alérgicas ou asma e aqueles que eventualmente já estivessem resfriados no momento em que o trabalho foi iniciado.
Os que sobraram – 4.272 pessoas – responderam a perguntas sobre sintomas como escorrimento do nariz, congestão nasal, tosses, calafrios, febre, dores de cabeça – tudo numa escala de zero (nenhum sintoma) a três (sintomas intensos). No período, os pesquisadores diagnosticaram 1.353 casos de gripe comum. Aqueles que beberam uma média de 14 taças de vinho por semana, tinham menos 50% de chance de apresentar sintomas de gripe dos que os abstêmios, bebedores de cerveja e de destilados. Os resultados foram até melhores entre aqueles que apenas beberam vinho tinto. Os bebedores exclusivamente de cerveja e de destilados não apresentaram qualquer tipo de proteção contra gripes, segundo revelou o Dr. Takkouche. “O único efeito protetor aconteceu entre os bebedores de vinho – o que pode ser explicado pelos componentes não alcoólicos da bebida”, explica o cientista.
Os pesquisadores teorizam sobre o que poderia explicar tal proteção contra gripes. Provavelmente dos componentes antiinflamatórios encontrados no vinho, como o resveratrol. Ou pelos chamados flavonóides, como a quercetina e a catequina. Porém, com precisão, os fatores de proteção do vinho contra gripes ainda não foram encontrados.
Cidra também protege
Você pode até achar que cidra é uma bebida chinfrim. Uma reles poção só encontrada nas prateleiras menos prestigiosas dos supermercados; coisa que só é oferecida a pombagiras. Puro preconceito (e alguma ignorância).
Quando Júlio César com seus romanos conquistaram a Inglaterra (55 A.C.), cheios de pretensão de ensinar às tribos locais como era gostoso o vinho deles, verificaram que a bebida da ilha era … a cidra. E, mais, provaram e ficaram entusiasmados.
Há quanto tempo os primos de Morgana e do Mago Merlin vinham fazendo aquele tipo de vinho, um suco fermentado de maçã, isso ninguém até hoje pode saber. Mas a cidra continua vigorosa e seus principais produtores estão na Europa. A Inglaterra faz uma muito da boa, espumante. O principal produtor, contudo, é a França, também no estilo espumante. E descobriram agora que a cidra contém tantos elementos antioxidantes quanto o vinho tinto.
A descoberta vem dos cientistas dos laboratórios da “Brewing Research International”, em Surrey, Inglaterra. Assim, aqueles que preferem cidra, podem bebê-la com tranqüilidade redobrada. Vão consumir elementos para prevenir danos às suas células e doenças degenerativas como o câncer e o mal de Alzheimer. Portanto, aproveite essa Copa para berrar a plenos pulmões, a juntar-se com o grupo de amigos numa sala gelada para torcer pelos canarinhos. Mas não esqueça da sua taça de vinho – bebendo moderadamente, claro.
Qualquer dúvida, berre também para o Bolsa ou para a Adega & Bar.



