• Torcendo com vinho

    por Sonia Melier em 30/05/2002 | 21:00

    Antes de usar toda a força de seus pulmões gritando gol (ou xingando o Felipão), beba uma taça de vinho. Ela vai dar uma senhora força a eles, além de melhorar o seu ânimo para acordar de madrugada e torcer pela nossa seleção.

    O crescente poder curativo dos vinhos é talvez o principal fato relacionado às bebidas alcoólicas nos tempos modernos. Por isso, volta-e-meia tocamos no assunto. Também, pudera! Pesquisas científicas despejam novidades sem parar – excelentes todas elas – sobre as qualidades terapêuticas da bebida. Só nos resta deixar a querida leitora bem informada e, claro, com saúde.

    As mais recentes falam que os vinhos são ótimos para combater gripes, preservar nossos pulmões e a proteger-nos do câncer. Até a cidra, o vinho feito de maçã (e que tem pouquíssimo prestígio no Brasil) tem qualidades antioxidantes semelhantes às dos vinhos.

    Vinho branco para respirar melhor

    Cientistas da Universidade Estadual de Nova York, em Buffalo, completaram um grande estudo que demonstra que as pessoas que bebem preferencialmente o vinho branco têm uma função pulmonar maior do que aqueles que só consomem o tinto. Atenção, que tanto o branco quanto o tinto são saudáveis para a função pulmonar. Só que o branco é mais. Esses dois grupos, inclusive, se comparam com o das pessoas que não bebem vinho – grupo que não registra qualquer melhora na função pulmonar.

    Os vinhos brancos e tintos têm concentrações altas de polifenóis e flavonóides - antioxidantes poderosos que operam no sabor da bebida. Mas que, acreditam os pesquisadores, podem proteger o tecido pulmonar de radicais livres – partículas muito pequenas que, com o tempo, danificam nossos tecidos.

    Esse estudo, que envolveu 1.555 adultos, é o mais recente a demonstrar que o vinho bebido com moderação pode ser importante para a sua saúde. Desse total, aqueles que só bebem vinho branco apresentaram uma melhor função pulmonar 3% melhor do que a do grupo dos abstêmios. A função pulmonar dos que só bebem vinho tinto é 1,5% melhor do que a dos não bebedores.

    O cientista Holger Schunemann, que liderou a pesquisa, apresentou seu trabalho na Sociedade Americana de Tórax. Diz um dos presentes, o pesquisador Peter Wagner, da Universidade da Califórnia, que o estudo sugere que “beber vinho moderadamente retarda a deterioração dos tecidos pulmonares por até três anos”. Homens e mulheres foram pesquisados quanto aos seus estilos de vida, padrões dietéticos e particularmente com relação à quantidade e aos tipos de bebidas alcoólicas consumidas nos últimos 30 dias e ao que estimativamente andaram bebendo na última década.

    Os pesquisadores mediram aspectos relativos à respiração e à capacidade pulmonar dos pesquisados – o que serve como indicador da saúde em geral. “A função pulmonar é também um forte indicador de doenças cardíacas”, lembra o Dr. Schunemann. Aspectos como hábitos de fumar, de comer e o peso dos pesquisados foram considerados. Diz o PhD que “quem bebe vinho branco provavelmente tem hábitos alimentares mais saudáveis, quase que certamente não fuma e, na maioria dos casos, são mulheres”.

    O pesquisador acha que se tomando apenas suco de uva o resultado não seria tão eficiente quanto aquele consumido com o vinho, pois no processo de sua produção muito mais antioxidantes se juntam à solução final. Essa pesquisa foi patrocinada pela Associação Americana do Pulmão e pelo Instituto Nacional do Alcoolismo e Abuso de Álcool. Coisa séria, gente.

    É gripe? Tome vinho!

    Bem, agora que você tomou vinho branco para melhorar suas funções pulmonares, pode alternar com vinho tinto e proteger-se dessa onda de gripe que chegou com a mudança de estação.

    A pesquisa, desta vez, foi conduzida pelos espanhóis da Universidade de Compostela. Se bebermos duas taças de vinho por dia, afirma esse estudo, estaremos nos prevenindo eficazmente contra gripes. “E esse resultado é mais forte com os vinhos tintos”, afirma o pesquisador-chefe, Dr. Bahi Takkouche, professor de epidemiologia daquela universidade.

    O levantamento durou de outubro de 1998 a setembro de 99 e envolveu 4.287 alunos, professores e funcionários de cinco universidades da região da Galícia e das Ilhas das Canárias. A cada 12 meses, os participantes (todos numa faixa de 21 a 69 anos) preenchiam questionários relativos aos seus hábitos de beber e fumar, entre outros fatores. Foram excluídos da pesquisa as pessoas com um histórico médico envolvendo doenças alérgicas ou asma e aqueles que eventualmente já estivessem resfriados no momento em que o trabalho foi iniciado.

    Os que sobraram – 4.272 pessoas – responderam a perguntas sobre sintomas como escorrimento do nariz, congestão nasal, tosses, calafrios, febre, dores de cabeça – tudo numa escala de zero (nenhum sintoma) a três (sintomas intensos). No período, os pesquisadores diagnosticaram 1.353 casos de gripe comum. Aqueles que beberam uma média de 14 taças de vinho por semana, tinham menos 50% de chance de apresentar sintomas de gripe dos que os abstêmios, bebedores de cerveja e de destilados. Os resultados foram até melhores entre aqueles que apenas beberam vinho tinto. Os bebedores exclusivamente de cerveja e de destilados não apresentaram qualquer tipo de proteção contra gripes, segundo revelou o Dr. Takkouche. “O único efeito protetor aconteceu entre os bebedores de vinho – o que pode ser explicado pelos componentes não alcoólicos da bebida”, explica o cientista.

    Os pesquisadores teorizam sobre o que poderia explicar tal proteção contra gripes. Provavelmente dos componentes antiinflamatórios encontrados no vinho, como o resveratrol. Ou pelos chamados flavonóides, como a quercetina e a catequina. Porém, com precisão, os fatores de proteção do vinho contra gripes ainda não foram encontrados.

    Cidra também protege

    Você pode até achar que cidra é uma bebida chinfrim. Uma reles poção só encontrada nas prateleiras menos prestigiosas dos supermercados; coisa que só é oferecida a pombagiras. Puro preconceito (e alguma ignorância).

    Quando Júlio César com seus romanos conquistaram a Inglaterra (55 A.C.), cheios de pretensão de ensinar às tribos locais como era gostoso o vinho deles, verificaram que a bebida da ilha era … a cidra. E, mais, provaram e ficaram entusiasmados.

    Há quanto tempo os primos de Morgana e do Mago Merlin vinham fazendo aquele tipo de vinho, um suco fermentado de maçã, isso ninguém até hoje pode saber. Mas a cidra continua vigorosa e seus principais produtores estão na Europa. A Inglaterra faz uma muito da boa, espumante. O principal produtor, contudo, é a França, também no estilo espumante. E descobriram agora que a cidra contém tantos elementos antioxidantes quanto o vinho tinto.

    A descoberta vem dos cientistas dos laboratórios da “Brewing Research International”, em Surrey, Inglaterra. Assim, aqueles que preferem cidra, podem bebê-la com tranqüilidade redobrada. Vão consumir elementos para prevenir danos às suas células e doenças degenerativas como o câncer e o mal de Alzheimer. Portanto, aproveite essa Copa para berrar a plenos pulmões, a juntar-se com o grupo de amigos numa sala gelada para torcer pelos canarinhos. Mas não esqueça da sua taça de vinho – bebendo moderadamente, claro.

    Qualquer dúvida, berre também para o Bolsa ou para a Adega & Bar.

    Nomes & rótulos

    por Sonia Melier em 23/05/2002 | 21:00

    Far Niente é o nome de uma vinícola da Califórnia. Será que o pessoal de lá não trabalha, leva a vida na sombra e água fresca, como indica o seu nome italiano? Acontece que em 1979 o produtor Gil Nickel comprou uma das mais antigas vinícolas da Califórnia, abandonada. E, em meio às ruínas, encontrou uma pedra com a inscrição “In dolce far niente” – o que pode explicar a decadência da casa sob os antigos donos. Mas Gil decidiu prestar uma homenagem e usou parte do nome.

    Uma vinícola húngara, a Neszmely, lançou no mercado inglês um vinho branco com uma uva original de seu país, mas completamente desconhecida no exterior. Pudera: seu nome, Cserszegi Fuszeres, é absolutamente impronunciável por qualquer um que não fosse húngaro. Mas a Neszmely encontrou uma saída criativa para o nome desse vinho, em inglês: The Unpronouceable Grape (”A uva impronunciável”). A cepa Cserszegi Fuszeres resulta de um cruzamento da Gewürztraminer e da Irsai Oliver. Dizem que é deliciosa.

    Pois é, no mundo dos vinhos temos também muitos nomes e rótulos curiosos, inventivos. Alguns até embaraçosos.

    Por exemplo, há um vinho da Califórnia chamado Cardinal Zin. No rótulo temos a ilustração de um cardeal, feita pelo cartunista Ralph Steadman. O produtor do vinho, a Bonny Doon, quis fazer um trocadilho com a uva que usa nesse vinho, a Zinfandel (coloquialmente tratada como “Zin”) e a palavra “Sin”, que significa “pecado”. Já “cardinal” é cardeal, mesmo, embora também tenha o sentido de principal. Só que nos Estados Unidos, hoje, “Pecado Cardeal” (também pode ser “Cardeal Pecado”) é imediatamente ligado aos casos de pedofilia envolvendo um bom número de cardeais. E agora? Cardinal Zin dificilmente vai ser utilizado em missas.

    Sangue de Boi é o nome de um antigo e famoso vinho húngaro – provavelmente copiado pelos produtores nacionais para fazerem o seu garrafão campeão de vendas. O nome original e completo é “Sangue de Boi de Eger” (”Egri Bikaver”, no original) e refere-se aos tempos, no século XVI, quando a cidade de Eger estava sitiada pelos invasores turcos. Os defensores húngaros defenderam a cidade com grande ferocidade. Os turcos atribuíram aquela valentia toda ao que viam à distância: os húngaros bebendo “sangue de boi” direto de tinas, manchando suas barbas de vermelho. Na verdade, a turma estava se revigorando com o vinho tinto da região. O fato virou nome de vinho, desde então.

    A inesquecível Marilyn Monroe é também nome de vinho: Marilyn Merlot. O rótulo é inusitado: a cada safra, mostra uma foto diferente da atriz. É um Merlot da Nova Wines, vinícola da Califórnia, que obteve a licença da imagem da estrela através dos administradores de seu legado: Anna Strasberg (viúva do amigo, diretor e professor de teatro de Marilyn, Lee Strasberg) e Centro Anna Freud de Psiquiatria Infantil.

    Latour é o nome de um dos mais famosos Château do mundo, produtor de um dos tintos mais disputados e também mais caros. É um premier cru classé - o topo da classificação de Bordeaux, França. E sua história, de pelo menos 600 anos, dos tempos de Ricardo Coração de Leão, começa na época em que a região, Pauillac, fazia parte do reino da Inglaterra. Muitas torres fortificadas vigiavam a região de modo a combater piratas que vinham do mar. Até hoje existe uma torre (daí Latour) na propriedade, embora não seja mais a original (que era quadrada, enquanto a atual é circular, tal como mostra o rótulo do precioso vinho).

    Storybook (”Livro de História”) dá nome a uma vinícola da Califórnia, a Storybook Mountain Vineyards. Seu proprietário, Jerry Seps, fornece os três motivos desse curioso nome: 1) os primeiros donos da vinícola eram dois irmãos alemães, Jacob e Adam Grimm (uma tremenda coincidência com o nome dos famosos autores e contadores de história, também alemães, os irmãos Grimm); 2) Jerry acha que “um vinho bom é igual a um livro de história - encanta a nossa vida”; 3) Ele acha que uma vinícola deve ser como uma história de fada.

    Muito criativo é o rótulo do vinho “Ten Degrees” (”Dez Graus”). Ele apresenta um termômetro que muda de cor (fica completamente vermelho) quando o vinho, após algum tempo gelando, atinge dez graus. Pronto para servir. É um vinho branco francês regional que harmoniza as uvas Chenin Blanc e Chardonnay. Pelo visto, querem vender mais o rótulo do que o conteúdo.

    Espantoso é o vinho Red. Não só seu nome é “vermelho” (que também pode ser entendido como tinto, a cor do vinho). A rolha, de plástico, é vermelha, como o rótulo também é vermelho. Só que o vinho é… branco!! É um francês regional, exportado para a Inglaterra, feito com uma Chardonnay. Ou o departamento de marketing rompeu com o pessoal da produção (e vice-versa) ou ambos não existem. Grande mancada!

    Em braile. O rótulo do Cotes du Rhône Rasteau, do produtor M. Chapoutier, foi o primeiro do mundo a ter também uma leitura em braile, em 1997. M. Chapoutier levou um ano pesquisando o processo e até investiu em equipamento tipográfico para alcançar seus objetivos. E conseguiu. As pessoas com problemas de visão podem informar-se sobre a apelação, nome, cor, origem, produtor e safra. Taí uma inovação que só merece aplausos. E olha que o vinho é ótimo.

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    Vinho, ervas e afrodisíacos

    por Sonia Melier em 16/05/2002 | 21:00

    Será que o amor só gosta de subterfúgios e truques? Como explicar a quantidade de pessoas buscando bebidas ou preparados que abram as porteiras do amor ou melhorem seu desempenho sexual? Chovem perguntas sobre o assunto. Então, vamos falar um pouco dele.

    As bebidas como afrodisíacos são uma busca milenar de homens e mulheres, que com elas procuram melhorar ou resolver suas habilidades sexuais ou despertar paixões.

    Em razão do deus do vinho na Grécia, Dionísio, e de seu correlato na Roma antiga, Baco, a bebida garantiu sua presença em ações relacionadas com o desejo sexual, já que as festas em homenagem a essas duas divindades eram arretadíssimas e feitas com obrigatória presença do vinho. E também de muitas ervas – consumidas como chás, infusões ou misturadas ao vinho.

    Em artigo recente aqui, vimos que uns poucos drinques podem disparar intenso desejo sexual numa mulher, fazendo com que tenha um comportamento descontrolado. Há duas condições para que isso aconteça: quando a mulher tiver um raro tumor benigno da glândula pineal, no cérebro – um pinealoma. A glândula pineal secreta um hormônio, a melatonina, que controla a pigmentação da pele e o nosso ciclo de sono e o estado de alerta. Quando sob efeito alcoólico, acabamos alertas demais, aumentando nosso desejo sexual. Uns poucos drinques também podem provocar igual desejo, mesmo que não haja o pinealoma. Mas, antes, vamos ver o que acontece em outras áreas.

    Existem ervas, frutos, produtos de qualquer tipo e origem capazes de disparar o desejo sexual e resolver problemas como o da impotência ou o da frigidez?

    A Mandrágora - Tá na Bíblia que Raquel (uma das matriarcas de Israel) recorreu à raiz da mandrágora para tornar-se fértil. A raiz aparece com freqüência nos textos bíblicos. No Cântico dos Cânticos, por exemplo, temos Sulamite convidando o amado, o próprio rei Salomão, para um passeio nos campos, acreditando que o mero aroma das flores da mandrágora ajudariam a “despertá-lo”. Um efeito duplo: fertilizante e excitante.

    A mandrágora é nativa do sul da Europa e dos países do Mediterrâneo oriental. Os gregos antigos a misturavam com o vinho (que então era normalmente servido contendo várias ervas, além de água do mar – provavelmente para amenizar o seu paladar). A utilizavam também como anestésico, em sua medicina.

    O florentino renascentista Nicolo Maquiavel (”O Príncipe”) escreveu uma comédia, “A Mandrágora”, encenada até hoje em todos os palcos do mundo, com a planta no eixo da trama. E não precisa buscar muito longe. O grande F. Scott Fitzgerald (”O Grande Gatsby”, “Suave é a Noite” etc.) admitiu ter usado um chá com a raiz da planta, mas “nem sempre com sucesso”. Falam que Fidel Castro e Che Guevara a utilizavam para os mesmos fins: despertar o tesão.

    Alternativas - Gregos e romanos, como quase todos os povos antigos, utilizavam uma longa lista de produtos que acreditavam afrodisíacos. Ela ia de cebola, cebolinha, a alho, aspargos, couve, pimenta, ovos, abacaxi, lesmas. Até hoje, o alho mantém-se como o afrodisíaco mais popular entre os gregos. Se não funciona, pelo menos espanta os vampiros.

    O sheik Nefzawi, autor do “O Jardim Perfumado para o Deleite da Alma”, escrito no século XV, recomendava comer-se língua de pardal durante o dia e, à noite, uma taça de mel, amêndoas e 100 nozes. E sai de baixo!

    O imperador romano Tibério proibiu seu filho de comer brócolis, em função da devastação que estava fazendo entre as servas do palácio. Até o simples alho-poró entrou na lista: o imperador Nero o consumia para melhorar o timbre de sua voz e seu, digamos, diapasão sexual (que, dizem, ora estava voltado para o norte, ora para o sul).

    A famosa Catarina de Medici – que além do garfo, introduziu as alcachofras na cozinha francesa – acreditava firmemente que a planta tinha poderes afrodisíacos, daí não deixar faltar na mesa do seu marido, o velho rei Henrique IV. Dizem que o guru da família do último tzar russo, o místico Rasputin, era o habitante sexualmente mais ativo do país porque devorava enormes quantidades de couve-flor.

    Mais recentemente, a raiz do ginseng entrou nessa lista. Nativo da Ásia e da América do Norte, os coreanos o consomem na forma de chá, os chineses o mastigam cru e muitos europeus na forma de pó – todos na crença de que ele estimula homens e mulheres a esquentar suas paixões.

    As ostras também são citadas com freqüência, nos últimos tempos. Mas que me desculpe Afrodite, a deusa grega do amor – que também era a deusa dos oceanos –, as ostras são capazes de excitar apenas outras ostras.

    Cantárida - Não há evidência científica nas propaladas qualidades afrodisíacas desses produtos, a começar da famosa mandrágora. Com alguma certeza, temos a cantárida. Também conhecida como “mosca espanhola”, é um inseto da família dos coleópteros, que sempre foi muito utilizado na medicina antiga – tanto como diurético como, principalmente, afrodisíaco. É usado seco e moído e é mencionado por Hipócrates, o pai da medicina, Plínio, o Velho, entre outras sumidades da antigüidade.

    A imperatriz Lívia (58 a.C.-29 d.C.) pulverizava os pratos de seus convidados de modo a que cometessem indiscrições sexuais (numa antecipação do Big Brother). Em 1772, o famoso (ou infame) Marques de Sade misturou alguns doces com pó de cantárida e os ofereceu numa festa. A coisa se transformou numa orgia e em mortes em massa. O Marques foi mandado para a prisão.

    Pois é, a cantárida funciona. Só que se errarmos na dose, ela pode matar. O seu princípio químico ativo, a cantaridina, é segregada pelo fígado e no, processo, irrita todo o sistema urinário. A irritação da uretra faz aumentar o fluxo de sangue na região, resultando em priapismo – uma ereção persistente, excessiva, quase sempre dolorosa. Logo, não há uma ligação com a libido, com o desejo. Caso não haja um homem ou mulher por perto, a pessoa pode querer satisfazer-se com a melancia mais próxima.

    Mas nenhum desses remédios prova ser um estimulante sexual. Tentou-se e ainda se experimenta de tudo durante séculos: chifres de rinoceronte, pênis de tigre, ginseng, mandrágora e até trufas. Mas nada disso estimula o desejo sexual. A ausência de libido pode ser causada por fatores que vão do desequilíbrio hormonal a perturbações psicológicas. Vejam só o Viagra: a pilulinha azul pode estar resolvendo problemas de ereção entre os homens, mas não faz nada com relação ao desejo sexual.

    O chocolate como poção amorosa - O chocolate pode funcionar, pois contém cafeína (um estimulante natural), canabinóides (substâncias derivadas da maconha, cannabis sativa) e um elemento derivado do MDMA – que vem a ser a chamada “droga do amor”, vendida clandestinamente com o nome de Ecstasy. MDMA é um palavrão: metilenodióximetanfetamina, que provoca forte sensação de euforia.

    Pesquisa feita por cientistas da Universidade do Arizona revela que uma barrinha de 50 gramas de chocolate contém cerca de 10 mg de cafeína, quantidade modesta se comparada com as 80 e 100 mg de uma xícara de café. Porém, se combinada com outro ingrediente do chocolate, como a teobromina, também excitante, seu efeito será diferente de se tivéssemos tomando café. No chocolate encontramos ainda “aminas biogênicas” – que são uma classe de compostos orgânicos. Pois essa substância é relacionada com o MDMA e sabe-se que é uma moduladora do comportamento (inclusive sexual).

    O álcool também - Mas, finalmente, bebidas alcoólicas podem ou não funcionar (disparar o desejo, a libido)?

    Segundo uma pesquisa do Instituto Nacional de Saúde Pública de Helsinki, Finlândia, uns poucos drinques de bebida alcoólica leve pode aumentar a concentração de testosterona na corrente sangüínea, levando a um aumento da libido.

    Ainda se desconhece a razão pela qual o álcool induz ao aumento desse hormônio, mas pode explicar porque as mulheres tornam-se superativas após alguns drinques e os homens perdem o ímpeto e escorregam feio na performance.

    Mulheres que estão nos seus períodos de ovulação também passam por um significante aumento da testosterona, quando bebem alguns drinques – conforme a revista médica New Scientist. Mas, gente, isso não significa que as mulheres devem beber mais para aumentar o seu desejo sexual. Quanto mais álcool, maior os efeitos negativos: mais agressividade, mais pêlos no corpo, mais rugas, mais problemas no ciclo menstrual e menos libido. Vamos relembrar Shakespeare, em Macbeth, sobre as coisas que as bebidas particularmente provocam: “…Provoca o desejo, mas impede a performance”.

    O melhor remédio - Enfim, bebendo ou não bebendo, fazendo ou não uso de poções ou drogas do amor, o melhor remédio para o desejo e o desempenho sexual parece que continua sendo aquele que fica entre nossas orelhas. O nosso órgão sexual mais importante, desde que você tenha boa saúde, localiza-se entre as orelhas: a nossa cabeça, a nossa imaginação. Se você achar que o que a excita é ginseng, tomate, chocolate, pêra ou qualquer outra coisa, então elas são para você o seu afrodisíaco preferido.

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    Dia das Mães: correndo atrás

    por Sonia Melier em 09/05/2002 | 21:00

    Pronto, chegou o dia: você está com mamãe, vovó, tias e irmãs ocupando a casa toda. O que vai ser hoje: peixe, carne, aves? Só isso? E as sobremesas? E os vinhos? Aquela boa e necessária confusão. E é confusão mesmo, pois cada uma traz um pratinho – seja de salgados, de doces. Você vai ter algum trabalho combinando esses pratos com vinhos. Então, é aqui que começa a coluna.

    Como combinar melhor? Pois é, como é que foram inventar esse montão de regrinhas para simplesmente comermos em companhia de um vinho? Com uma grande variedade de vinhos, tanto do Novo quanto do Velho Mundo, e com uma enorme quantidade de novos estilos de cozinhas atualmente, é claro que ficamos todas confusas.

    Era tudo muito mais simples: vinho branco com peixe ou com carnes brancas e vinho tinto com carnes vermelhas. Vinhos mais jovens (de safras recentes) antes dos mais maduros; vinhos brancos antes dos tintos. Com a entrada de novos pratos nos cardápios, as coisas começaram a mudar. Comida chinesa, japonesa, indiana, tailandesa, vegetariana – tudo muito distante de nossas tradições, com sabores e temperos diferentes. Você some isso com certas “invenções” de alguns chefs da moda. Um robalete com jabuticaba, mais arroz com curry verde ao lado de uma pimentinha de New Orleans de dar inveja a qualquer arma bioquímica. É dose! Veja que já não é mais tão simples utilizar as velhas regras. Em todo o caso, preste atenção no seguinte:

    Acidez - Pense num prato com tomates, muito ácidos. O melhor é pensar num vinho que contenha boa dose de acidez, como um Sauvignon Blanc. Não vá usar um vinho branco da Alsácia, mais delicado, macio – que combinaria melhor com cogumelos, por exemplo.

    Doçura - Não é só de doces, não. Num prato vegetariano, com batatas, cenouras e outras raízes, notamos um quê de doçura - que você deve procurar também nos vinhos para acompanhá-lo. Um vinho com a uva Syrah (francês ou australiano) ou com a Grenache (francês, a principal responsável pelo célebre Châteauneuf-du-Pape).

    Sobremesas - Elas são muito mais doces que o prato vegetariano aí de cima, claro. E precisam de vinhos definitivamente doces. Procure por um vinho que seja ao mesmo tempo doce e ácido, pois às vezes elas são representadas por frutas frescas, reunindo o doce e o ácido: um late Harvest do Chile, um Riesling alemão, australiano ou da Califórnia.

    O peso do prato - Não, não é peso em quilos. Um rosbife é mais “pesado” do que um filé de peixe – por isso precisará de um vinho mais “pesado” também. Os shiraz australiano ou francês vão bem com o primeiro. Mas um Chablis (com a uva Chardonnay, mas sem que tenha ficado muito tempo em carvalho – informação que você encontra no rótulo) fica bem melhor com o segundo. Uma das razões para isso é a quantidade de álcool no vinho: quanto mais álcool, mais “pesado” é o sabor do vinho (o inverso é verdadeiro). Outro motivo é a quantidade de taninos (aqueles antioxidantes - que, ao mesmo tempo, ajudam a você livrar-se de problemas cardíacos, entre outros): quanto mais presentes, mais pesados os vinhos.

    Taninos -b> Eles são o quarto fator a considerar. Dão-se otimamente com carnes vermelhas (taí o motivo pelo qual os vinhos tintos sempre foram recomendados). Carnes brancas podem certamente ter vinhos tintos, mas daqueles meio-pesados a leves: Merlot, Pinot Noir e as Gamay Beaujolais do Novo Mundo; um Rioja (espanhol) jovem, um Côtes du Rhône ou um Beaujolais Village.

    Molhos - Preste atenção neles: às vezes apresentam-se muito picantes ou aromáticos demais, o que pode alterar a escolha do vinho. Quando falamos em molhos e temperos, falamos também da chamada cozinha “étnica”: da China, Tailândia, Japão, Índia, tão em moda. Se muito picantes, o melhor são brancos como os Sauvignon Blanc (francês ou do Novo Mundo), ou tintos jovens como um Rioja. Novamente os Sauvignon Blanc domam bem os pratos tailandeses.

    Você - Tudo isso pode ser interessante, mas a regra principal é você. A melhor combinação é justamente aquela que você mais gosta. Especialistas vivem experimentando e apresentando suas provas para nossa análise. Estão aí centenas de publicações e páginas da Internet despejando dicas diariamente. O que apresentamos abaixo é um resumo de algumas dessas indicações.

    Pratos Básicos

    Churrasco - A defumação, mais os molhos fazem dos churrascos pratos não muito amigos de vinhos, pelo menos dos finos. Tente um vinho tinto jovem, simples (um Beaujolais nacional), ou um Chianti, italiano. Melhor ainda, um chope bem geladinho.

    Filés e bifes - Pedem tintos secos com forte presença de taninos. Franceses de Bordeaux, Carbernet Sauvignon da Argentina e Chile, Chianti e Brunello da Toscana.

    Frango - É carne branca mas, se for assado, acho que vai melhor com um tinto mais leve: um Dolcetto italiano, um Beaujolais, um Merlot. E até mesmo com alguns brancos: com um Chardonnay (que tenha ficado em carvalho) ou um Riesling. Para outros estilos de frango, considere o molho e o tipo de preparação. Peito de frango com molho branco casa bem com um branco. Uma galinha à caçadora fica melhor com tintos secos (Chianti, Bardolino, Valpolicella – todos baratos e fáceis de encontrar).

    Porco - O mesmo acompanhamento que recomendamos para frangos.

    Presunto - Uma peça de presunto ao forno é bem salgada e muito saborosa. Socorra-se com vinhos mais frutados: um Beaujolais, um Pinot Noir, no caso dos tintos. Ou com uma Chenin Blanc ou Riesling. Se o presunto tiver um abacaxi, opte por um Chardonnay nacional, chileno ou argentino - que carregam sempre um toque de fruta tropical.

    Pastas - O nosso famoso macarrão acompanha bem vinhos, mas dependem do tipo de molho que você usar. Se for o tradicional, do sul da Itália, farta em tomates, o melhor é acompanhar com vinhos tintos italianos: o Chianti, claro; o Montepulciano d’Abruzzo etc. Se com queijos (como no Fettuccine), considere um Chardonnay. Se tiver frutos do mar (mas sem tomates), um branco seco, vivo, como o Sauvignon Blanc francês ou os italianos Orvieto, Soave e até os Frascati.

    Peixes - Vão melhor com a branca Chardonnay. Mas atenção que o salmão, tão mais popular hoje, vai melhor com um tinto mais sutil como um Pinot Noir, já que é um prato rico em gorduras. Rosés do sul da França também são boa combinação. Com a lagosta, os melhores casamentos continuam sendo com a Chardonnay ou com um Champagne.

    Saladas - Cuidado com o excesso de vinagre - o conhecido inimigo do vinho. Ou você deixa para beber vinho depois da salada ou consegue uma maneira de reduzir a sua acidez, como usando um tantinho de limão em vez do vinagre.

    Sobremesas - A recomendação clássica é acompanhá-las com vinhos doces naturais (os Late Harvest, os Sauternes, os alemães e os Rieslings do Novo Mundo etc). Mas a maioria das sobremesas é doce demais e sinto que os vinhos se desequilibram. Recomendação: faça do vinho doce a sua sobremesa.

    Fazendo tudo ao contrário - Mas, se quiser, pode partir do vinho em vez da comida. Considere só esses exemplos com algumas das principais varietais.

    Os tintos:

    Cabernet Sauvignon - A principal uva tinta de Bordeaux, rica, com cor profunda, sabor de groselha, muitos taninos, vai bem com carneiro assado, com um queijo bem maduro, bem curado. Se não tiver carneiro, um belo steak cai bem.

    Pinot Noir - A tradicional uva da Borgonha, que produz vinhos delicados e elegantes, é a melhor companhia para o famoso “Coq-au-Vin”, tradicional prato da região. Ou com um pato assado.

    Syrah/Shiraz - É a variedade do Vale do Ródano e também destaque na Austrália. Produz vinhos de uma densa púrpura, com aromas de frutas vermelhas e algo picantes. Acompanha bem assados e qualquer prato de caça. Na Austrália (onde o nome passa a ser Shiraz) é presença constante em churrascos.

    Merlot - A segunda uva de Bordeaux, com menos taninos, mas sedutora, com uma doçura natural. Boa presença com pratos de carnes e também pastas.

    Os brancos:

    Riesling - A grande uva da alemã e talvez a principal cepa branca do mundo. Lembra maçã, limão, é ácida e as do Novo Mundo acrescentam sabores de frutas. Vai bem com pratos de peixe (tortas, terrinas etc.) ou com carnes cruas (frios, tartars etc.).

    Chardonnay - A uva branca, originária da Borgonha, que hoje é dominante em todo o mundo. Há dois estilos: a que não amadurece em carvalho, que acompanha peixes e frutos do mar e a que fica algum tempo em barris, mais amanteigada, que escolta peixes mais pesados, carnes brancas e até algumas sobremesas.

    Então, você decide. Ou corre atrás dos vinhos, ou a comida é que tem que emparelhar com eles.

    Acho que você já conta com alguns elementos para resolver esse dilema e agradar toda a mulherada. Se quiser mais dicas, por favor, é só clicar para o Bolsa ou para a Adega & Bar. Feliz Dia das Mães!

    Dia das Mães: o Método Melier

    por Sonia Melier em 02/05/2002 | 21:00

    Já falei do “Método Melier”? Pois pelo menos o experimente nesse próximo Dia das Mães. Preparei uma boa lista de sugestões combinando pratos e vinhos - e, claro, será uma lástima que sua mãe não participe completamente.

    Se minha mãe hoje bebe vinho (tanto quanto eu, até), sou a maior responsável. Corruptora de maiores? Nada disso. Num passado não muito distante, em todas as reuniões, festinhas - em particular o Dia das Mães - tínhamos um problema: mamãe não bebia vinho. Tudo bem, por mim. Mas acabei descobrindo que evitava a bebida - natural na família há gerações - por puro preconceito. O preconceito de álcool versus saúde, versus o peso da idade, versus um monte de ziquiziras.
    Entabulei uma maneira de faze-la considerar o vinho como possibilidade de prazer e, claro, de mais saúde.

    Separei recortes de notícias sobre as qualidades do vinho e elaborei uma lista de citações de cientistas e médicos de todos os tempos e, com letras bem grandes, as distribui pelas paredes da casa, em substituição aos velhos quadros de família: tio Josué, irmão Guilherme, primo Leo, a sobrinha Bárbara, o entrevado Wellington - entre tantos. É claro que o esquema chamou a atenção. E deu resultados. Quem sabe, você não tenta a mesma coisa. O Método Melier é simples e rápido. Vamos lá.

    Recortes de Jornais

    Em três grandes folhas de cartolina, distribuí uma matéria sobre os hábitos do pessoal de terceira idade da cidade de Veranópolis - a 160 km de Porto Alegre. Pesquisas há uns dois anos revelaram que a média da população da cidade que já passou dos oitenta anos de vida fica entre 17 e 20%. Ora, em todo o restante do Brasil, só 2% da população chega a essa idade. Pois a turma de idosos de Veranópolis (o nome não poderia ser melhor: todas as outras cidades viram Outonópolis) tem o costume particular de beber vinho diariamente. E aí entra em cena o resveratrol, o poderoso antioxidante encontrado nos vinhos, em maior quantidade nos tintos, um dos mais poderosos agentes contra arteriosclerose, doenças coronarianas, quedas nos níveis de colesterol. O vinho faz tudo isso e ainda dá muito, mas muito prazer.

    Em outras páginas, coloquei notas sobre o vinho como agente contra o câncer, Alzeheimer, Parkinson, próstata etc. Com destaque, num canto de parede que considero nobre aqui em casa, coloquei uma reportagem sobre Thomas Jefferson, um dos pais da democracia americana. A matéria era sobre como curou suas filhas de tifo usando apenas vinho. Espantoso, mas verdadeiro. (Claro que mamãe leu tudo isso nas minhas costas; numa hora em que estava sangrando uma carijó, ou colocando lenha no fogão, pegando leite da cabrita. Só para dizer que “não viu nada” - sabem como é).

    Citações

    Em pequenas tabuletas, distribuí não só por paredes, mas por móveis (mesas, mesinhas, consoles etc.) uma série de citações. Elas talvez ajudem a você, sua mãe, suas amigas a motivar-se mais com o vinho. Ele está entre nós há dois mil anos. E até Noé sabia de seus benefícios. Afinal, fez toda aquela viagem para plantar a primeira videira do homem - e tomar o primeiro e bíblico porre, isso segundo o Velho Testamento. Vamos às citações:

    “O vinho é apropriado ao homem de maneira maravilhosa, desde que tomado com bom senso pelos doentes tanto quanto pelos saudáveis”. Hipócrates (460-377 AC), médico grego, consagrado como “Pai da Medicina”.

    “Beba uma taça de vinho com sua sopa e roube um rublo do seu médico”. Provérbio russo.

    “In Vino Sanitas”. Ou: No vinho há saúde. Plínio, o Velho (23-79 AC), cientista, historiador e militar romano.

    “O vinho é a mais saudável e higiênica das bebidas”. Dr. Louis Pasteur (1822-1895), cientista francês.

    “O vinho é o leite dos velhos”. Maimanides (1135-1204), médico e filósofo judeu.

    “Se o vinho é alimento, remédio ou veneno, é uma questão de medida”. Paracelso (1493-1541), médico alemão, pai da moderna farmacologia. E também o autor da palavra “álcool”.

    “Quando o vinho é barato nenhuma nação se embebeda”. Thomas Jefferson (1743-1826), presidente americano, estadista, intelectual e um dos maiores conhecedores de vinho do seu tempo.

    “Sempre que falta vinho, os remédios tornam-se necessários”. Talmude.

    “Se a penicilina pode curar aqueles que estão doentes, o jerez espanhol pode ressuscitá-los”. Sir Alexander Fleming (1881-1955), descobridor da penicilina. O jerez é um vinho fortificado feito no sul da Espanha.

    “Se Deus proibiu beber vinho, por que o fez tão bom?” Cardeal Richelieu (1585-1642), estadista francês - e personagem importante dos Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas.

    Pois é, esse o recado que o Método Melier proporciona e que “dobrou” minha mãe: saúde não é só livrar-se de doenças, mas de como podemos gozar a vida física e mentalmente com a ajuda do vinho.

    Semana que vem, então, apresento uma lista supimpa de pratos e vinhos que podem ajudá-la no Dia das Mães. Você duas vão brindar com uma boa taça de vinho, tenho certeza.

    Você quer mais dicas sobre o meu metido ou mais citações sobre os benefícios do vinho? Já sabe, estamos aqui no Bolsa e no Adega & Bar.