Entre sentir uma ponta de dor de cabeça
e ir buscar o comprimido na gaveta,
desde o último corte até que cresça,
entre não gostar e fazer careta.
De sapato apertado até tirá-lo,
esticar o cabelo até ficar ralo.
Escolher uma palavra e achar rima,
entre cair do cavalo e ficar por cima.
Desde rabiscar versos até uma canção,
quantos meses no calendário passarão?
Começar a dieta e emagrecer,
pegar o morto, fazer canastra e bater?
Colocar aparelho e sorrir,
se despedir e, de fato, partir?
Quanto tempo vou sentir saudade
até tomar coragem pra te ver?
Quanto tempo sem nenhuma novidade,
sem beijar de língua e umedecer?
Quanto tempo até aprender a fazer poesia?
Até a China, até lá longe, à morte eu iria,
para ver tudo terminado
ou ter de volta o ser amado.
Deitar na cama até dormir,
entre escorregar e cair,
desde trepar até parir,
quanto tempo, sem você, vou resistir?
Quanto tempo entre nascer o sol e chegar a lua,
você se tornar meu e eu, toda sua?
Até o ponteiro dar volta inteira
e acabar com essa brincadeira,
eu vou contar até três
de trás pra frente, em inglês
de olhos fechados, espero
que você chegue no zero.





