• Teresa e eu

    por Rosana Caiado em 29/07/2007 | 21:00

    É que nem flanelinha e motorista de ônibus: chega a ser um clichê reclamar de vizinho, esses desafortunados que dividem com você o elevador e o corredor do prédio, dormem, acordam, se alimentam e se reproduzem à esquerda ou à direita, abaixo ou acima da sua cabeça. Eu, eu adoro os meus vizinhos. Eles não têm cachorro - exceto Pingo - , não escutam música alta - exceto aos domingos -, nunca chamaram a polícia - exceto na minha última festa de aniversário -, não são fofoqueiros - exceto eu. E nunca tentaram envenenar meu gato - mas eu nem tenho um.

    À direita, o casal Fofinho. O casal Fofinho se mudou há pouco, não tem filhos e trabalha junto. Tem temperamento dócil, porte médio e grande vigor físico.Tolera bem pessoas estranhas, é ativo e facilmente domesticado. Tem hábitos diurnos, pintou a parede da sala de amarelo e pregou sobre ela o quadro de uma flor amarela - pelo que pude ver do corredor, uma orquídea. Costuma jogar videogame à noite, quando vêm do lado de lá da parede seqüências de tiros e grandes explosões. Houve uma vez em que o CF alugou um aparelho de videokê. Durante o fim de semana, sem parar, marido CF e mulher CF se mostraram companheiros camaradas e alternaram irmãmente a posse do microfone - ora Legião Urbana, ora Kid Abelha.

    ‘À esquerda, Teresa. A vizinha que me fez enfileirar esse monte de palavras e formar a coluna. Me reservo o direito de escrever um longa-metragem em que ela é a protagonista

    O casal Fofinho é feliz. Só de vez em quando é que briga. É a CF fêmea quem dá os gritos mais altos. Ouço da minha sala o que se passa no quarto deles. Não só as brigas, claro. Há também as brincadeiras de casal e as cócegas, sempre as cócegas. De uma a três vezes por semana, o casal Fofinho tem seus momentos. São afetuosos e gostam de ver um filme para aquecer.

    À frente, Bruna, minha vizinha mirim. Bruna tem grandes olhos verdes, ainda não completou dez anos e bate no meu peito. Bruna é dona do meu vizinho mais barulhento - o já mencionado Pingo, um Yorkshire filhote. Bruna e Pingo têm meu afeto, apesar dos latidos neuróticos de um e do total desprezo do outro. Ao contrário de Bruna, Pingo me permite alisar sua cabeça e responde as minhas provocações. Bruna faz que não me vê.

    À esquerda, Teresa. A vizinha que me fez enfileirar esse monte de palavras e formar a coluna. Me reservo o direito de escrever um longa-metragem em que ela é a protagonista. Teresa, Teté. Nunca a vi. Mora no outro bloco, o que significa que não partilhamos corredor e elevador, somente a parede que separa meu quarto de sua sala, onde fica sua secretária eletrônica. Teté mora sozinha e chega do trabalho todos os dias por volta das 20h. Do lado de lá, ouve os recados da secretária. Do lado de cá, com algum esforço, entendo metade das frases - confirmação da consulta médica, notícias de familiares, convites de amigas para um cinema no domingo. Poucos homens. Ou nenhum. Ontem, Teté chegou no horário de sempre, deu play e ouvimos juntas votos de felicidade, saúde e sucesso. Ontem foi o aniversário da Teresa. Houve quem cantasse "Parabéns pra você" do início ao fim, bradasse "ê" com entusiasmo invejável ou soltasse piadas tristes sobre o avançar da idade. Mais uma seqüência de recados como qualquer outra, não fosse a única e chamativa diferença: no dia seguinte, às sete da manhã, Teté tornou a ouvir os recados. E mais outra e outra vez. Teté se sente sozinha. Não sabe que logo ali, do outro lado da parede, me sinto eu.

    Se eu fosse homem II

    por Rosana Caiado em 22/07/2007 | 21:00

    Se na próxima vida - caso houver - eu cair nesse mundo - caso ainda exista - sob o corpo, a cabeça e tudo mais de homem, garanto: só vou me interessar por mulheres de trinta. Nada de garotinha, sainha curtinha, franjinha e espinha: iria querer uma mulher de trinta e todos os seus superlativos.

    Foi Balzac, nos idos de 1800, em seu romance "A mulher de trinta", que criou, assim sem querer, a expressão "balzaquiana". Ao contrário do que muita gente pensa (as de vinte e as de quarenta, de certo), o termo não é pejorativo. Balzaquina é, por definição, mulher de mais ou menos trinta anos, ou seja, mulher de excelência. Em um pódio, no degrau mais alto. Numa festa, atrai os holofotes. Na mesa, não precisa aumentar o volume ou falar besteira para roubar as atenções para si.

    ‘Mesmo que feia, a mulher de trinta sabe ficar bonita. A diferença entre a de vinte e a de trinta é que a segunda sabe se passar pela primeira. Mas pra quê?

    Eu-homem sei que iria cortar um dobrado para impressioná-la. Faria promessas, esconderia defeitos, tentaria qualquer coisa para convencê-la de que meu DNA carrega bons genes. Eu-homem sou capaz de entender a alma feminina, sou sensível, inteligente, romântico. Tenho bom humor e alguma responsabilidade. Uma mulher, ao atingir os trinta, eleva seu nível de exigência até com o rímel com que pinta os olhos - que dirá com a companhia para uma noite de lua?

    Eu, bobo; ela, dona de si, dona do sim e do não. A balzaquiana me coloca no bolso. Entra em vestidos que não mostram demais, mas insinuam. Quero rir de suas histórias e responder suas perguntas. Se por um acaso eu não telefonar no dia seguinte, sei que me arrependerei em seguida e pelo resto da minha vida medíocre. Eu-homem me curvo diante dos seus feitiços.

    Na horizontal, é ainda melhor. Já brincou de médico e de casinha. Já teve 9 ½ semanas, mas não se impõe em repetir cenas de amor. Aos trinta, ela não tem frescura, tem a manha. Rainha do rebolado e dos afagos que jamais senti. A mulher de trinta fica por cima. Tem os bicos dos peitos mais salientes. A mulher de trinta tem peito para fazer o que der vontade, sabe onde gosta e não tem vergonha de apontar.

    Ela guarda cartas na manga, já vem com vida própria, é infinita e passa cremes antes de dormir. Banca seus luxos, mata barata e conhece a regra do impedimento. Mesmo que feia, a mulher de trinta sabe ficar bonita. A diferença entre a de vinte e a de trinta é que a segunda sabe se passar pela primeira. Mas pra quê?

    Se na próxima vida o Y ganhar do X e eu nascer homem, ah, minha mulher, minha querida, minha diva, aprendo a cozinhar só para fazer um jantar para você. Compro vela perfumada, faço curso de degustação, decoro Fernando Pessoa. Você, depois de meia garrafa, tira as sandálias e fica mais alta. Eu tomo o último gole e mato a sede em você.

    Se eu tivesse nascido homem, só iria querer dividir minha vida com uma mulher de trinta. As meninas choronas, meninas de fralda, essas eu esnobaria já no berçário. E se, por uma incalculável imprudência, um dia viesse a me interessar por uma garotinha, duraria o tempo de estranhar meia dúzia de gírias e me sentir no jardim de infância, esperando o sinal bater.

    Tudo isso porque, na semana passada, escrevi uma coluna em que, assim na provocação (vocês andavam muito caladas), resolvi fazer uma ode, ainda que irônica, às jovens de seus 18 anos. Deu o que falar, mas eu, eu tenho lá minhas dúvidas sobre minhas preferências caso tivesse nascido homem. Primeiro, porque sou péssima em situações hipotéticas. E depois porque tenho por palpite que, se eu fosse homem, não iria perguntar a data de nascimento antes de escolher meu par.

    Se eu tivesse nascido homem, disso tenho certeza, iria me apaixonar pela mulher de trinta que você faz surgir em mim, a mulher em que me transformo quando estou do seu lado, só nós dois, na sua cama, de madrugada. É só você me olhar e eu entendo tudo. Imagina quando chegar a idade da loba.

    Se eu fosse homem

    por Rosana Caiado em 15/07/2007 | 21:00

    Se na próxima vida - caso houver - eu vier para esse mundo - caso ainda exista - sob o corpo, a cabeça e tudo mais de homem, garanto: só vou me interessar por mulheres mais jovens. Melhor: nada de mulheres, que venham as moças, garotas, garotinhas, meninas em todo o seu frescor - uma mulher que acabou de sair da gaveta. Uma gatinha de saias tão curtas quanto suas histórias, cabelos compridos balançando para lá e para cá, a última ponta em cacho, esbarrando no cóccix. Menina encantada, elástico de cabelo com status de pulseira, penugem loira lhe cobre as canelas, sai da sua boca, como nuvem, hálito de tutti-fruti.

    Eu iria levá-la para tomar sorvete. Esperaria com paciência os longos minutos até que ela tomasse aquela que seria a decisão mais importante do dia - creme ou morango? Se a hesitação fosse para ela muito dolorosa, não titubearia antes de oferecer o de duas bolas e ainda mandaria caprichar na calda de chocolate, na castanha e no granulado. E nas jujubas vermelhas. Depois sentaria no banco da praça em posição de estátua, sorriso de canto, a reparar a espontaneidade de suas lambidas entre o amargo e doce da vida.

    ‘Se na próxima vida o Y ganhar do X e eu nascer homem, ah, menina, te espero na porta do curso de inglês. Te dou um filhote no dia do seu aniversário, com laço de cetim no pescoço, dentro de uma cesta de vime

    Depois, depois, você já sabe.

    Importante que virgem não seja - se eu quisesse peso e responsabilidade, procuraria uma que combinasse com a minha faixa-etária. É conveniente que a namorada seja fresca, porém já introduzida (ao assunto) e que tenha muita curiosidade, qualidade das pessoas mais inteligentes que conheço.

    Se na próxima vida o Y ganhar do X e eu nascer homem, ah, menina, te espero na porta do curso de inglês. Te dou um filhote no dia do seu aniversário, com laço de cetim no pescoço, dentro de uma cesta de vime. Ajudo a dar nome ao cachorro, numa escolha que, essa sim, demandaria dias, talvez semanas. Eu, mais que o filhote, babando por você.

    Tudo isso porque revi esse homem na casa dos enta meses depois de tê-lo encontrado pela primeira vez com seus dedos entrelaçados aos de uma moça dos inte. Quanta diferença: em poucos meses, o homem remoçou anos. Cortou os cabelos à navalha, trocou a armação dos óculos, comprou enfim uma calça jeans reta, de lavagem escura, que em nada lembra a antiga, de pernas largas e bainha apertada. Adeus, cós alto! Adeus, olheiras esverdeadas! Estamos agora diante de um homem rosado como um bebê. Feliz como um adolescente no primeiro dia de férias.

    Tudo bem que ele, o homem, também tem seu mérito: se deixou moldar, se permitiu contagiar pelo viço da namorada - e isso tudo, veja bem, sem cair no ridículo. Espera-se que ele saiba, porém, que ela, aquela garota adoravelmente boba, é a principal responsável por uma guinada em sua vida, uma reviravolta que não se resume ao físico - mas, benza Deus, que bela mudança. Salve a menina! Mande rezar uma missa em ação de graças. Dê a ela os créditos por ter sua mocidade de volta - a recompensa pode ser em forma de beijos, carícias, gozos e, se possível, um pouco de amor.

    Se eu tivesse nascido menino, iria preferir meninas pelo resto da vida. E se, por uma incalculável imprudência, um dia viesse a me interessar por uma mulher de mais idade, idade esta igual ou menor (nunca maior) que a minha, lutaria, pois, com todas as armas para afastá-la de mim. Deixaria a cidade, parava de beber. Para o meu próprio bem.

    Mulheres de trinta já vêm com passado. Com vícios! Manias!!! Mulheres de 30, nem pensar. Cheias de personalidade, como eu. Têm, como eu, opinião formada sobre tudo. Querem responsabilidade, compromisso, filhos, como eu, mulheres de trinta querem filhos. Chatas, como eu, fazem cobranças, como eu. Pensam no futuro. Têm culote. Vivem de regime. Falam mal das meninas mais novas, como eu. Mulheres de 30 são assim como eu. E eu, eu nunca gostei de garotinhos.

    10 minutos

    por Rosana Caiado em 08/07/2007 | 21:00

    Tô com fome.

    Quer que eu faça um sanduíche pra você?

    Não.

    Quer alguma outra coisa?

    Carinho nas costas.

    Tava pensando em outra coisa.

    O quê?

    Pizza, sei lá, pão de queijo.

    Carinho nas costas. Dez minutos.

    São 22h42. Às 22h52 termino. Começou.

    Deito ligeiro na cama, de bruços. Levanto, arranco a blusa. Deito de novo, de bruços. Ele começa.

    Faz com a ponta dos dedos.

    Você é exigente, heim?

    Um bom carinho nas costas é de unha. Na ausência delas, pontas dos dedos resolvem. Um bom carinho nas costas ultrapassa o cóccix e explora glúteos; avança sobre a nuca e alcança orelhas. Um bom carinho nas costas envolve alguns segundos de cafuné. Um bom carinho nas costas inspira.

    ‘Quero ser protagonista dos filmes que passam dentro da sua cabeça. Sou a estrela. Você, o diretor, desses que também atuam. Me dirige e eu obedeço a cada marcação. Se deixar, improviso

    Inspiração: quero ser uma estrela de Hollywood. Quero ser Sabrina ou tomar café da manhã na Tiffany's. Quero ser a namorada de Ferris e dançar com ele "Twist and Shout". Quero ser uma linda mulher em cima do piano e, em seguida, encher sacolas com roupas de grife. Quero usar sapatos Manolo. Quero ser Kate, enjaulada, amassada por James. Marilyn miando "Parabéns pra você". Naomi Watts apaixonada e correspondida pelo Rei. Eu, Lolita; você pinta minhas unhas dos pés de vermelho.

    Está viciado esse carinho.

    Como assim "viciado"? - ele ri.

    Tá passando pelo mesmo caminho toda hora, não pode.

    Um bom carinho escolhe trilhas diferentes sobre a pele, um bom carinho é criativo. As pontas dos dedos em suspenso por alguns segundos. As pontas dos dedos retomam o percurso em um local mais adiante ou mais atrás, nunca no mesmo. Um bom carinho não dá pistas de aonde vai chegar. E provoca arrepios.

    Quero ser Scarlett Johansson, só a boca já me servia. Natalie Portman de peruca cor-de-rosa, Sharon Stone na banheira, até Cameron Diaz naquele filme bobo, em que ela está numa suíte de hotel, deitada na cama, quando chega o serviço-de-quarto com o carrinho lotado de sorvete de diversos sabores, servidos em prataria - além de deliciosos, no filme, eles não engordam. Daí chega o homem por quem Diaz está apaixonada e oferece a ela uma longa sessão daquilo que ela mais gosta. Eu, paradinha, tomando sorvete, enquanto você faz todo o resto.

    Tá gostoso?

    Muito.

    Quero ser protagonista dos filmes que passam dentro da sua cabeça. Sou a estrela. Você, o diretor, desses que também atuam. Me dirige e eu obedeço a cada marcação. Se deixar, improviso.

    Acabou?

    11h53 já.

    Um bom carinho passa depressa, depressa demais. Um bom carinho é só o começo.

    Quer mais alguma coisa?

    Pão de queijo?

    Tava pensando em outra coisa.

    Um filme. Eu sou a principal. Se quiser, improviso.

    Scarlett?

    Começou.

    Sobre a paixão

    por Rosana Caiado em 01/07/2007 | 21:00

    O melhor da paixão é ( ) o descontrole, ( ) o não caber dentro de si, ( ) é a vontade de fazer o que não deve, ( ) se enroscar debaixo das cobertas nessa tarde de chuva. ( ) se embolar por cima dos lençóis nessa noite quente. O melhor da paixão é que só você sabe. É a sensação de que nada mais importa, dane-se o mundo - não há sobre ele ninguém além de nós dois.

    Paixão que honra o nome que leva não tem ( ) explicação, ( ) nhen-nhen-nhem, ( ) nem mas nem porquê. A paixão é, por definição, inexplicável. Sempre haverá tentativas manjadas e sintomas idem, como frio na espinha, taquicardia e dor de barriga. Mas o que determina o início da paixão, sua alavanca, seu motor de arranque, aposto como é impossível dizer, sob o risco de me apaixonar caso encontre quem o diga.

    ‘Dizem por aí, meia dúzia de chatos solitários, que paixão tem hora pra acabar, tipo festa no playground. Diz que é só se distrair um pouco e ela já deu no pé, foi embora, mal-educada, sem ao menos dizer tchau

    Me apaixonei ( ) à primeira vista. ( ) antes do jantar, quando ele fez o pedido ao garçom. ( ) na hora em que ele me apresentou sua casa e me abraçou no corredor. ( ) nos três segundos antes do primeiro toque do seu lábio inferior no meu superior. ( ) descendo a escada em giro. ( ) saindo da festa sem ninguém ver ( ) depois de três dias sem nem um telefonema.

    E agora, ( ) meu coração se recusa a bater. ( ) meu coração se assemelha a uma escola de samba. ( ) o mundo parou de rodar: ninguém entra, ninguém sai. ( ) o mundo roda mais rápido só pra eu te ver de novo. ( ) acordo ao som de violinos. ( ) ouço o canto do rouxinol. ( ) minha visão chegou a ficar preta ( ) vejo corações vermelhos em torno do seu rosto. ( ) vejo seu rosto no rosto de outros, como máscara. ( ) tenho sonhos em tons pastéis. ( ) não consigo mais dormir. ( ) engordei dois quilos. ( ) perdi três. ( ) sinto o seu cheiro na roupa de cama. ( ) no elevador. ( ) seu perfume dentro do meu nariz.

    Dizem por aí, meia dúzia de chatos solitários, que paixão tem hora pra acabar, tipo festa no playground. Diz que é só se distrair um pouco e ela já deu no pé, foi embora, mal-educada, sem ao menos dizer tchau. Podem me chamar de romântica, mas eu acredito, eu juro que uma paixão pode durar para todo o sempre.

    Ela tem idas e vindas, como modelo na passarela. Altos e baixos, feito montanha russa - me deixa de ponta-cabeça, me toma num susto. É caprichosa. Diz que vai e não vai, diz que não volta, mas volta, ah, volta. Tem vez que abranda, tem mês que arrebata com força máxima. Ainda bem, ou então ninguém agüenta: o índice de ataques cardíacos lá em riba e a expectativa de vida dos apaixonados - como eu e você -, no chão. Mas o que mais posso querer além de me sentir de novo como aos 15 anos? ( ) ficar que nem boba? ( ) gastar mais de meia hora no " desliga você"? ( ) ter certeza de que sou correspondida e de que nesse exato instante estamos pensando um no outro? ( ) acreditar que a minha paixão é mais forte do que a do vizinho e que ninguém nunca sentiu coisa igual?

    A paixão é ( ) livre, ( ) gosta de experimentar, ( ) acabou de sair do forno, ( ) a paixão brinca de ( ) esconde-esconde, ( ) trepa-trepa, ( ) escorrega pelas mãos, ( ) sopra segredo no ouvido, ( ) pede flashback em todo capítulo, ( ) é uma novela, ( ) beija de língua, ( ) beija apertado, ( ) como os esquimós.

    Isso tudo porque a paixão ( ) ardente, ( ) antiga, ( ) proibida, ( ) cega, ( ) a próxima paixão será sempre ( ) única, ( ) mutante, ( ) camaleônica, ( ) a maior de todas. A paixão tem múltiplas escolhas. E ela me escolheu.