• NO FUTEBOL TEM COISAS QUE SÓ ACONTECEM COM O FLAMENGO.

    por Isabel Kieling em 13/04/2012 | 21:43

    NO FUTEBOL TEM COISAS QUE SÓ ACONTECEM COM O FLAMENGO. Ontem, por exemplo, ocorreu uma destas. O fato me empurrou até aqui para pedir desculpas por estar sumida e escrever sobre isto. No meu último post comentei do desafio de voltar à faculdade, aos 58. Tudo bem se fosse um curso de Direito ou de Administração, talvez não me sentisse tão deslocada, mas resolvi fazer cinema. Todas aquelas garotas e garotos, bonitos, antenados, com seus fones de ouvidos, “smartphones” e donos do seu tempo, parecem não ter muita paciência de aturar em sala de aula, uma pessoa do mesmo jeito dos seus pais ou talvez avós. Tem momentos, que parece que falo outra língua. E os professores, então? Lançam olhares de pena e às vezes de reprovação, tipo,  pensando: “o que esta velha maluca esta fazendo aqui?”.  Mas por enquanto não desisto. Sou teimosa e vou continuando, cada vez gostando mais.

    Mas voltando ao Flamengo, merecidamente desclassificado da Libertadores, só que não precisava ser com tanta emoção e sofrimento.  A classificação seria algo muito remoto, o Flamengo teria que vencer em casa, e os outros dois adversários, que jogavam entre si e que também disputavam a segunda vaga do grupo, teriam que empatar. Até ai, tudo bem, era difícil. Agora ninguém, nem a torcida contra esperava a eliminação com tantos requintes  de crueldade.   Aos 25 minutos do segundo tempo, o rubro-negro estava classificado, mas a manutenção do empate seria difícil aos 42 minutos o Emelec passou na frente e o Flamengo estava eliminado. Então aos 46, O Olimpia empatou, o Flamengo estava classificado, mas aos 47, o Emelec desempatou e ficou com a vaga.

    Agora precisava acontecer tudo nos últimos 5 minutos do jogo? Não dava pra um dos times ter uma vitória normal?  Um gol em cada tempo, por exemplo? Claro do ponto de vista da torcida do Emelec foi uma vitória heroica e merecida. E vamos combinar: o Flamengo não fez a lição de casa. Num grupo fraquíssimo, com equipes somente voluntariosas, mas fracas, ganhar as três partidas em casa não seria nada demais. Como diz, o técnico do Santos, Murici Ramalho: “a bola pune”. E na Libertadores, qualquer deslize, qualquer baladinha é fatal.

    CHOCOLATE NO NATAL

    por Isabel Kieling em 18/12/2011 | 14:21

    CHOCOLATE NO NATAL. Estava um pouco afastada do bolsa, estudando cinema.  É um grande desafio voltar a estudar aos 58, mas encarei pelo desejo de ver coisas novas e colocar pessoas novas na minha vida.  Então, deixei um pouco de lado o futebol.  O Campeonato Brasileiro, muito disputado até o final, para mim não empolgou.  Empolgou as torcidas envolvidas na disputa do título. Sem desmerecer o título do Corinthians, que conquistou a taça por méritos, o nível técnico foi muito fraco.

    Porque resolvi voltar a escrever sobre futebol, hoje? Pela partida impecável do Barcelona contra o Santos.  O Barcelona não tomou conhecimento de Neymar e companhia. Criou-se muita expectativa em cima desta partida, a partir do momento que o Santos ganhou a Taça Libertadores, no meio do ano. Talvez aquele Santos de seis meses atrás, até fizesse alguma frente ao Barcelona, mas ao abandonar o campeonato brasileiro, perdeu o foco. Se estivesse disputando o título brasileiro, embalado, talvez tivesse um chance maior contra o melhor time do planeta.

    Enfim, o Santos não somente perdeu, tomou um banho de bola e não conseguiram jogar.

    No terceiro do gol do Barcelona comecei a me preocupar com a seleção brasileira para próxima copa. A seleção da Espanha é quase todo o time do Barcelona, excetuando Messi e Daniel Alves. A imbatível filosofia de jogo não é somente obra de seu técnico Pep Gardiola. É um trabalho que vem de muito tempo atrás, quando a direção do clube catalão resolveu investir nas categorias de base ao invés de comprar craques consagrados e caros. Hoje o Barcelona é um grande time, porque tem grandes craques, mas tem um banco muito bom, com craques feito em casa, que já vão substituindo os titulares, sem nada modificar a forma de jogar. E assim é a seleção espanhola. Estes caras vão jogar 2014. A seleção a bater não será a adversária de sempre, a Argentina e sim a da Espanha. Na coletiva após o jogo, Pep Gardiola, técnico do Barcelona, lembrou aos jornalistas brasileiros, que seus avós contavam de como o futebol brasileiro jogava como o atual Barcelona.

    Os jogadores do Santos saíram do campo falando em lição do Barcelona, aula de como se joga, etc. Sim, mas mais  de que uma lição importante para Ganso e Neymar, que sirva de  alerta para Mano Menezes. Nossa seleção tem que voltar a jogar nosso velho futebol. Chega de volantes que não sabem jogar. Temos que povoar o meio de campo com jogadores que saibam passar e que saibam manter a posse de bola. Com a bolinha que nossa seleção vem jogando, enfrentar uma Espanha jogando como o Barcelona, será vexame na certo em casa, em 2014.

    QUE SOFRIMENTO!

    por Isabel Kieling em 25/09/2011 | 02:14

    Que sofrimento! Depois de 10 rodadas, finalmente o Flamengo voltou a vencer no Brasileiro. Venceu na “marra”, com um gol de Tiago Neves, aos 43 do segundo tempo, depois do atrapalhado David ficar impedido, ao dar uma de zagueiro. Aliás, a pergunta que não quer calar: se o David está mal, porque o Vanderlei não põe o Diego Mauricio como titular? Pois hoje, depois de um primeiro tempo horrível do time, o técnico do Flamengo teve que usar Diego Mauricio, que entrou muito bem. Foi dele a jogada e o chute que deu início ao gol da vitória.

    O interessante é que o campeonato está muito parelho e nivelado, dizem até que é por baixo: apesar dos 10 jogos sem ganhar, o Flamengo ainda está na corrida pelo título, porque com a vitória de hoje ficou a cinco pontos do líder Vasco da Gama.

    Já lá em Curitiba o negócio ficou feio. A torcida queria a cabeça do juiz. A arbitragem anda tão ruim e sem critério, que o árbitro de Atlético-PR e Fluminense, poderia até estar certo em dar 5 minutos de acréscimo e marcar um pênalti para o tricolor aos 49 do segundo tempo, mas como a maioria não faz isto, a torcida do furacão ficou irada e a polícia teve que agir com rigor. Meio exagerado talvez, apontando armas para a torcida, mas conseguiu dispersar o tumulto: e a comissão de árbitros o que faz hem? Seria bom a CBF se preocupar com a arbitragem, porque embolado como esta o campeonato na frente, no meio e embaixo da tabela, ainda vai dar muita confusão com juízes, que podem decidir o título, pelos seus erros e não pelo jogo jogado dos times.

    HE, HE, ELES PERDERAM. SHIII! NÓS TAMBÉM.

    por Isabel Kieling em 18/07/2011 | 00:30

    HE, HE, ELES PERDERAM. SHIII!  NÓS TAMBÉM. Primeiro foi a favorita Argentina a ser eliminada pelo Uruguai nos pênaltis. No dia seguinte, caímos também nos pênaltis contra o Paraguai, só que com uma diferença: a Argentina perdeu para um adversário que jogou em iguais condições: o Uruguai atacou, defendeu e procurou sempre o gol. Foi um partidão. O melhor desta Copa América. A Argentina perdeu por um detalhe de um pênalti mal cobrado. Já o jogo do Brasil foi unilateral. Só o Brasil atacou. Teve inúmeras chances de gol, mas não teve competência para marcar. Nos pênaltis, então, foi uma tragédia: quatro pênaltis perdidos. Ao Paraguai bastou converter duas cobranças e agradecer a vaga na semifinal entregue de bandeja pela seleção canarinho.

    O que dizer do time de Mano Menezes? Ainda não vimos evolução nenhuma. Neymar e Ganso ainda são promessas. Muito endeusados, deu pra ver que ainda precisam amadurecer: Neymar precisa jogar mais para o time e Ganso precisa apreender a não se desligar tanto do jogo. Aliás, foram poucos momentos que Ganso esteve na partida de ontem. Muito disperso, bem marcado, quase nada fez. Apenas deixou uma única vez Neymar na cara do gol, que preferiu driblar ao invés de chutar de primeira, perdendo uma chance real de gol. Também chutou uma única vez em gol: uma bola perigosa, mas que foi bem defendida pelo goleiro Uruguaio.

    Agora, não sei por que Mano Menezes insiste com alguns caras da seleção anterior? Daniel Alves, rico jogador do Barcelona, parece que deixou o jogo na cidade espanhola. Não jogou nada nos dois primeiros jogos, tanto que foi substituído por Maicon que por sua vez jogou bem a partida anterior, mas já no jogo de ontem, errou todos os cruzamentos. E o Elano? Que horror! Já era na seleção. Também não deu para entender a convocação do Fred. Na verdade, esta história de renovação acaba quando vai disputar qualquer torneio: convoca o mais experientes, porque não quer perder. Ai, não renova e nem ganha. É preocupante a preparação para copa. Não participaremos das Eliminatórias por ser país sede e teremos poucos amistosos até a Copa das Confederações em 2013. O negócio está mal parado para Copa de 2014. Além das obras todas atrasadas, o time também está marcando passo. Será que vamos pagar aquele mico em casa?

     

    UFA! CONSEGUIMOS PASSAR.

    por Isabel Kieling em 14/07/2011 | 01:06

    UFA! CONSEGUIMOS PASSAR.Nossa! Foi um sufoco, mas conseguimos passar pelo Equador, apesar de um futebol lento e preguiçoso quase todo o jogo. Neymar e Pato jogaram bem, mas o Ganso foi muito mal. Irreconhecível no jogo de hoje: errando passes, disperso, sem marcar, só apareceu no primeiro gol do Neymar. A zaga também falhou muito. Lúcio e Thiago Silva parecem não se entender e a má fase de Julio Cesar está longe de acabar. Falhou nos dois gols do Equador. O primeiro um frangaço inesquecível. O ponto alto do jogo foi Maicon. Mostrou que não pode ficar fora do time. Mano acertou em substituir Daniel Alves, que não vinha jogando nada, por Maicon. As jogadas de linha de fundo de Maicon deram volume ao ataque, que se não produziu gols no primeiro tempo, no segundo produziu toda a jogada do quarto gol.

    Na segunda, a Argentina saiu do sufoco também. Só que com uma única diferença: Messi jogou muito. Botou seus companheiros de ataque diversas vezes na cara do gol. Acho que foi o melhor jogo do Messi pela seleção Argentina. Vai ser difícil segurar o baixinho.

     

    NEM MESSI, NEM NEYMAR, NEM GANSO: SOMENTE MARTA.

    por Isabel Kieling em 06/07/2011 | 01:13

    NEM MESSI, NEM NEYMAR E NEM GANSO: SOMENTE MARTA. A Copa América começou e os dois favoritos, Argentina e Brasil decepcionaram na estreia. O melhor jogador do mundo, Messi, confirmou a escrita de não jogar bem pela seleção Argentina. Parece que seu jogo fantástico apenas aparece com a camisa do Barcelona. Já os brasileiros Neymar e Ganso, ainda de resseca pela conquista da Copa Libertadores, jogaram muito pouco, tendo como companhia Robinho e Daniel Alves. Este último, a exemplo de Messi, deixou seu jogo em Barcelona. Mas vamos combinar: eta, copinha sem vergonha esta da Argentina. Aqui no Brasil ninguém tá dando muito atenção. Aliás, apenas irritando os torcedores dos times que tiveram que ceder seus craques, como Santos e São Paulo. O Campeonato Brasileiro já pegando fogo e os times tendo que ceder jogadores para a seleção, sem contar os convocados para as seleções sub 20 e sub 17. A CBF não quer nem saber se prejudica o próprio campeonato.  Enquanto isto, Marta brilhando no Mundial Feminino na Alemanha. Não se fala em outro jogador de futebol na Alemanha. Só se fotografa e se escreve sobre Marta na terra do chucrute.  A seleção feminina arrasou com as Norueguesas, time de tradição no feminino. Marta fez dois golaços, ainda deu o passe para o terceiro. Um famoso comentarista de esportes disse este final de semana que não gosta de comparar os gols do futebol feminino com o masculino, porque  o feminino acontecem em outro contexto, etc. Realmente os da Marta aconteceram dentro do contexto do futebol bonito. Jogado de verdade.  Eu não sei por que ainda não damos a devida importância para o futebol feminino no Brasil. Já é hora disto mudar. E a CBF que não se coça para que o futebol jogado pelas mulheres aconteça neste país. Vamos dar um jeito nisto. Vamos torcer e pedir mais futebol feminino no Brasil.

    A VITÓRIA E A DERROTA DO BEM

    por Isabel Kieling em 10/06/2011 | 02:57

    A vitória e a derrota do bem. A final da Copa do Brasil, na última quarta-feira foi digna daquele velho e bom futebol brasileiro. Vasco e Coritiba, dois grandes do nosso futebol, com a mesma história de recuperação, fizeram uma final emocionante, disputada até o último minuto.

    Conheci a esposa de Roberto Dinamite, Presidente do Vasco,  no bairro onde moro e logo percebi o quanto este casal e sua família amavam o seu clube de coração. Acompanhei a luta deles para tirar o Vasco do obscurantismo, que dominava a colina e que levava o clube a passos largos para perda do status de grande do futebol brasileiro.  O Vasco contava apenas com sua torcida bem feliz, que nunca deixava o time sozinho, nos seus piores momentos: time preferido é que nem filho, não adianta gostar. Tem que participar e ajudar.

    Depois de derrotas, armações e decisões judiciais, finalmente Roberto conseguiu a Presidência do Vasco, mas encontrou um clube afundado em dívidas e mesmo com muito esforço não conseguiu montar um bom time para disputar o brasileiro e acabou caindo para segunda divisão em 2008.

    Para organizar o departamento de futebol na disputa da série B, Roberto trouxe do Sul, Rodrigo Caetano, que já havia feito um excelente trabalho de reestruturação no Grêmio. Embalado por sua torcida, o time conseguiu imediatamente retornar a elite do futebol brasileiro, vencendo a série B em 2009. Com a campanha ruim no brasileiro de 2010 e um início de 2011 novamente fora da disputa do título carioca, àquelas pressões da velha oposição, voltaram. No entanto, acertadamente a Roberto e sua diretoria investiram na Copa do Brasil e o que se viu foi a conquista do título inédito para o Vasco e para o Técnico Ricardo Gomes, e a conquista da tão sonhada vaga para Libertadores de 2012.

    Quanto à derrota do bem ficou com o Coritiba, que a exemplo do Vasco, saiu da situação de rebaixamento em 2009, ano do seu centenário, agravada pelo quebra-quebra, promovido por torcidas organizadas na última partida do clube naquele brasileirão. Em 2010, o Coritiba conseguiu  se reorganizar rapidamente e voltar 2011, apesar da perda do mando de campo em várias partidas da série B, em virtude da pancadaria geral de 2009. Da mesma maneira que o Vasco, a torcida foi o alicerce do Coritiba, que de quatro mil sócios em 2009, passou para 30 mil em 2011. Chegou à final da Copa do Brasil, como o time sensação do Brasil no primeiro semestre deste ano, batendo recordes de invencibilidade, ganhando o campeonato paranaense de ponta a ponta. O Coritiba tanto quanto o Vasco merecia o título da Copa do Brasil e a vaga da Libertadores. Fizeram uma final sensacional, mas infelizmente apenas um poderia ganhar e desta vez deu Vasco.  Parabéns a torcida vascaína que comemorou como nunca pelas ruas do Rio a quebra do jejum de oito anos.

    Inicio de semana emocionante. E ainda teve a despedida do Fenômeno da Seleção, mas esta história é grande e fica para o próximo post. 

     

     

    QUATRO DE MAIO DE 2011, UM DIA PARA O FUTEBOL BRASILEIRO ESQUECER

    por Isabel Kieling em 05/05/2011 | 00:58

    Quatro de maio de 2011, um dia para o futebol brasileiro esquecer. Foi inacreditável, mas dos cinco times brasileiros que disputavam vaga nas quartas de final da Libertadores, apenas o Santos conseguiu passar.  A missão mais impossível era do Grêmio, já que tinha perdido em casa no jogo de ida. Mas Inter, Fluminense e principalmente o Cruzeiro tinham situações muito cômodas. No entanto, não foi o que se viu. Todos os quatro foram eliminados. Pois é, Libertadores não é fácil não. Ninguém ganha no primeiro jogo e a classificação só acontece quando termina o segundo jogo. Pois vejam o caso do Cruzeiro: melhor time da primeira fase, dando goleadas após goleadas, considerado o melhor time do Brasil perdeu a classificação em casa para o Once Caldas, o pior time da classificatória.

    Este inicio de maio sempre trás umas “tragediazinhas” para o futebol brasileiro. Lembram daquele jogo no Maracanã pela Libertadores, Flamengo e América do México, no dia 7 de maio de 2008? O Flamengo podia perder por dois a zero e já faziam até festa de despedida para o Joel, que ia treinar a seleção da África do Sul. O time, a imprensa e a torcida já davam como favas contadas. Só que o América tinha um gordinho, chamado Cabañas, que resolveu jogar e acabou fazendo dois dos três gols, estragando a festa rubro-negra.

    Como diz Murici: “a bola pune”. Mais do que nunca Murici tem que falar muito sua frase para os jogadores dos Santos. Na Libertadores não se pode vacilar. Não tem jogo ganho antes do apito final.

    O INCRÍVEL ROGÉRIO CENI CHEGA À MARCA DE 100 GOLS

    por Isabel Kieling em 29/03/2011 | 02:34

    O incrível  Rogério Ceni chega à marca de 100 gols. Todo torcedor gostaria de ter um Rogério Ceni em seu time não só por ser um goleiro goleador sem precedentes na história do futebol, mas pela paixão pelo clube que defende desde 1990.

    Rogério nem pensava em ser goleiro. Quando criança, no Paraná, foi apreender a jogar tênis. Já adolescente morando em Mato Grosso, na cidade de Sinop, passou a jogar vôlei, inclusive foi campeão estadual.  A primeira vez que jogou no gol foi numa pelada com os colegas do Banco do Brasil, onde trabalhou dos 13 aos 17 anos, como auxiliar de serviços gerais. Aos 17 anos resolveu fazer um teste no Sinop como goleiro, mas só foi aproveitado no ano seguinte, porque o time estava sem goleiros. Na primeira partida profissional defendeu um pênalti e acabou sendo o destaque do Sinop na conquista do campeonato estadual no mesmo ano. Quando acabou o regional, por indicação do Presidente do Sinop, foi fazer um teste no São Paulo. Era setembro de 1990 e começava ali uma das mais belas carreiras do futebol brasileiro.

    Rogério conquistou campeonatos estaduais, brasileiro, Libertadores, Mundial de Clubes. Esteve na Copa do Mundo de 2002 como terceiro goleiro. Rogério com toda sua trajetória vitoriosa não foi aproveitado na Seleção Brasileira. Na Copa de 2006 havia um clamor da torcida para que Parreira convocasse o goleiro são-paulino, mas o técnico preferiu convocar o jovem Júlio Cesar como terceiro goleiro.

    Na verdade, dizem que por ter opinião formada e dar entrevistas fora do formato CBF, Rogério foi preterido muitas vezes nas convocações da Seleção Brasileira. Aliás, Rogério é um daqueles jogadores que tem e dá sua opinião sobre tudo no futebol. No domingo mesmo, nas comemorações do seu gol 100, criticou a CBF pela politicagem que acabou descartando o Morumbi, estádio do São Paulo, para ser a arena de São Paulo na Copa do Mundo do Brasil.

    ELA É LOUCA POR RUGBY

    por Isabel Kieling em 21/02/2011 | 01:52

    Ela é louca por rugby.  Quando o Rio de Janeiro  ganhou o direito de sediar os jogos olímpicos de 2016, logo me preocupei como ficaria nossa representação em todas as modalidades olímpicas, inclusive naquelas  a serem  disputadas pela primeira vez em  2016. Já temos toda dificuldade para nos prepararmos naquelas que temos um enorme potencial, como atletismo, por exemplo,  imaginem naquelas verdadeiramente estranhas aos brasileiros. Não vai dar para fazer fiasco, temos que representar bem o país em todas as  modalidades.  Na ocasião comentei aqui que  teríamos que  competir até num  esporte chamado  rugby , inclusive no feminino.  Até comecei a pesquisar sobre este esporte que é adorado por ingleses, escoceses, australianos, neozelandês e sul-africanos, estes últimos  famosos pelo recente filme “Invictus”. Tinha certeza que encontraria alguns brasileiros disputando este esporte. Os brasileiros podem até não serem os melhores esportistas, mas se metem a disputar qualquer coisa. Até esporte de inverno nós  disputamos. Então saí à procura de mulheres que praticavam rugby no Brasil. Dei umas perguntadas para o Sr. Google, mas com início da copa acabei jogando de lado a minha preocupação com o rugby. Foi então que recebi uma mensagem de Karlla Daves no Facebook.  Karlla Daves é uma garota de Pernambuco, doutoranda em Física e louca por Rugby.  Escreve em vários blogs e faz de tudo para divulgar o rugby feminino por ai afora. Conversei com ela sobre este esporte que confundimos com futebol americano e que começa aparecer na mídia brasileira.

    COMO VOCÊ FOI SE APAIXONAR PELO RUGBY?

    KARLLA - Eu tive o privilégio de assistir o primeiro jogo de rugby na região Nordeste. Me apaixonei de imediato pela atitude dos jogadores em campo: a superação, a coragem, o respeito mútuo e a confraternização coletiva no fim do jogo (o tradicional 3º tempo, obrigatório no rugby) foram os grandes responsáveis pelo meu amor à primeira vista. Acredito sinceramente que se todos jogassem  rugby poderíamos construir um mundo melhor, baseado na lealdade, amizade e respeito.

    VOCÊ PRATICA O ESPORTE OU É APENAS UMA TORCEDORA E DIVULGADORA?

    KARLLA - O ano de 2010 foi um ano particularmente complicado pra mim, eu treinei até julho, fiz parte da comissão organizadora do primeiro campeonato feminino independente do Brasil. Entrei de cabeça na divulgação em sites e blogs, mas estou parada nos treinos, porque estou finalizando o Doutorado.  É muito difícil viver em um ambiente de rugby sem   dedicação exclusiva. Atualmente trabalho ativamente em um dos maiores sites de divulgação do rugby no Brasil (RugbyMania).  Minha maior pretensão é me tornar uma árbitra de rugby qualificada. Já fiz o curso nível um da International Rugby Board e pretendo me dedicar à arbitragem de corpo e alma.

    É FÁCIL PARA AS MULHERES JOGAREM RUGBY NO BRASIL OU SOFREM  PRECONCEITO COMO NO FUTEBOL?

    Uma das coisas que mais  gostei  no Rugby Feminino é que  os meninos apoiam de verdade as meninas. Eles torcem, vão ao campo, ajudam, gritam.   No começo eles acham estranho, mas quando se acostumam dão o maior apoio.

    A nossa seleção feminina de rugby é o grande tesouro do Brasil, hexacampeãs sul-americanas e com importantes participações internacionais estão um pouco à frente dos meninos nas conquistas.

    O RUGBY É UM JOGO VIOLENTO? É EM VIRTUDE DISTO QUE OS JOGADORES TEM QUE SER MAIS FORTES,  MAIS CORPULENTOS?

    KARLLA - Uma coisa importante a destacar é que o rugby não é um esporte violento. Sim  é um esporte que permite o contato, mas as pessoas estão ali pelo esporte e não pra machucar umas às outras. No final dos jogos os times se cumprimentam e confraternizam e acreditem ou não, em geral se tornam amigos.

    O Rugby é um esporte que exige bastante do físico, mas o tradicional com 15 jogadores de cada lado é totalmente democrático, permitindo que pessoas com  qualquer biotipo possam participar em uma posição adequada. A modalidade olímpica (com sete jogadores de cada lado) é mais seletiva. Mas em ambos os casos, como sabiamente me ensinou meu ex- treinador português, Rui Rodrigues: - só nos divertimos jogando Rugby, quando estamos preparados fisicamente e tecnicamente, senão vira um martírio. Acredito que é o mesmo que acontece em todos os esportes.

    EXISTEM CLUBES NO BRASIL  ONDE SE POSSA INICIAR NO  RUGBY?

    KARLLA - Sim. Hoje é possível jogar rugby em praticamente todos os estados brasileiros. Eu trabalho em uma empresa que realizou um mapeamento do Rugby no Brasil (Rugby.esp.br) e o resultado é impressionante sobre a quantidade de times no território nacional. Quem tiver interesse em jogar basta mandar um email pra nós que localizamos o time mais próximo da pessoa. Mas o rugby é mais desenvolvido nas regiões Sul e Sudeste.

    QUAL A DIFERENÇA DO RUGBY  DE 15  E DE SETE?

    KARLLA – A primeira grande diferença  se refere ao número de jogadores em campo. Quando se joga com 15 jogadores em cada equipe e o jogo é jogado em dois tempos de 40 minutos. Já nos “sevens” (modalidade olímpica) os times possuem sete jogadores de cada lado e os dois tempos são de sete minutos, podendo ser 10 minutos as finais dos campeonatos.

    Com esta diminuição do número de jogadores,  as formações e o jogo em si muda muito, mas os princípios do jogo e a pontuação são os mesmos, nas leis do jogo existem algumas adaptações.  Além destas duas temos o Beach Rugby e o Quad Rugby (para pessoas em cadeiras de rodas) como adaptações.

    E O RUGBY OLÍMPICO?

    KARLLA - O rugby na modalidade “7’s a side” (sete de cada lado) está com volta programada para as Olimpíadas de 2016,  aqui no Brasil.  Então é uma grande responsabilidade para o Brasil.  Ainda não estamos preparados para as Olimpíadas, mas a política de desenvolvimento do rugby brasileiro está bastante promissora.  Os recursos e as parcerias estão crescendo e a organização das entidades e  o apoio forte na formação de recursos humanos capacitados também.  Nossa maior preocupação com a popularização do rugby  é a preservação dos valores do esporte. Seus valores e princípios é que o tornam tão especial.

    RESUMA O QUE É O RUGBY PARA VOCÊ

    KARLLA - O Rugby é um esporte lindo, mais do que isso é um modo de vida. A coletividade é vivida ao extremo. Não há uma estrela em um time de rugby. Um time é um time, porque ninguém faz nada sozinho e  o apoio que aprendemos em campo, durante os treinos, durante os jogos, levamos conosco pra vida. Aprendemos a respeitar as pessoas, o árbitro, nossos adversários, nossos companheiros. O rugby nos ensina todos os dias a nos tornarmos  pessoas melhores.

    Quer saber tudo sobre Rugby? Acesse http://www.rugbymania.com.br/