“O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder?”
Cantarolar, você já cantarolou essa música. Mas prestou bem atenção nesta letra do cantor e compositor Lenine? Já vi muita gente chorar depois de escutar com mais calma os versos de “Paciência”. Para mim, este trecho é muito significativo. Afinal, o que temos feito com o nosso tempo?
Além de nós precisarmos mais de calma, o mundo também espera “a cura do mal”, como diz a letra. Mas esta cura depende de cada um de nós! Entretanto, infelizmente não temos tido tempo nem para notarmos isso. Se não olhamos para dentro, como saber as necessidades dos outros? Se não sabemos o que mudar na nossa vida, como poderemos fazer diferente?
Simplesmente, a nossa rotina atribulada, as exigências do mercado, a necessidade de ser bom e ser mais que o outro o tempo todo não nos permite enxergarmos a nossa própria essência. Eu te pergunto: isto faz sentido para você??? Mais: você está feliz, plena, realizada, ou apenas seguindo o “script” que os outros escrevem como sendo o modus operandi ideal?
Outro dia, escutei uma frase que me fez refletir: “Faça as coisas por você e não para você”. Sentiu a diferença? Simples: não deixe que as prioridades, urgências e coisas que você faz por necessidade e/ou conveniência tomem conta da sua vida. Coloque as suas prioridades em primeiro lugar, faça, viva o que para você é importante, o que vai fazer diferença para os seus dias e para as pessoas que você quer bem.
Esta mesma pessoa me questionou (desculpem-me o tom clichê) se eu tinha visto a cor do céu, as flores, o canto dos pássaros. Ele, no fundo, no fundo, sabia que eu tinha acordado e já ligado o piloto-automático: não tinha tomado café da manhã, mal consegui me arrumar e já estava no metrô a caminho dos meus compromissos diários. Senti-me culpada por não ter tempo para mim, para as minhas necessidades.
O que você tem feito com seus dias, seus sonhos? Você se dedica a eles? Sei lá, uma vez por semana, por exemplo?
Aproveite, então, esta quinta-feira rosa para olhar para dentro de você. Pense nos seus sonhos, nos seus objetivos, pense no que te dá prazer (há quanto tempo você não se permite ser feliz, ser você mesma?). Aprenda a dizer não – isto dá um prazer danado!
A maior prioridade da sua vida é você mesma! Pense nisso! É como diz um dos versos mais fortes da música: “A vida é tão rara, tão rara”...
E sigo meus dias assim, meio apática, sem perceber o que está a minha volta. Nesse dia em que percebi que o mundo é maior do que posso abraçar, notei que quase nunca me dou conta das quatro pessoas que moram comigo: meus pais, irmã e cachorro. Não afago o Teco há meses - por "falta" de tempo, é claro! Não digo a meus pais que os amo - por uma "vergonha" inexplicável de transparecer; e minha irmã então... nem sei por onde anda! Estou sempre afogada em papéis, trabalhos e compromissos considerados mais importantes (sabe-se lá por quem).
Faça o teste e veja se sua solidariedade anda em alta
Na rua, não noto o garotinho que pede esmolas no sinal ou o mendigo que implora por algum alimento. Não é que seja insensível, mas às vezes acho que é uma tentativa interna de negar essa realidade (que também é minha). Quando chego ao trabalho, não dou bom dia para a senhora da limpeza e nem retribuo com um obrigada à atendente da lanchonete que prepara o meu café-da-manhã. Estou sempre tão cansada e sem tempo!
Até que um dia você acorda e uma brisa de vento carrega a névoa que encobria seus olhos durante todo esse tempo. E você entende que a felicidade - sua e do outro - não é algo que cairá do céu, mas que pode ser construída no dia-a-dia pelos seus atos. E se dá conta de que o mundo é um lugar muito melhor de se viver quando você retribui um "bom-dia", cede seu lugar no metrô ou no ônibus, ajuda sua vizinha a carregar as compras do supermercado, quando assiste outra pessoa sorrir usando aquela roupa que não gostava mais ou vê uma criança se divertindo feliz com aquele brinquedo que já estava esquecido pelo seu filho.
Ainda há tempo de mudar seus atos. Natal e Ano Novo chegando: é hora de recomeço! Abra a janela! O mundo está aí fora, precisando de uma dose extra de solidariedade. Necessitando de você! Então, eu pergunto: já fez sua boa ação hoje?
Minha cor preferida sempre foi azul. O rosa apareceu bastante nos meus cadernos, na minha mochila, nos meus diários, nas minhas Barbies, no meu guarda-roupa, no meu estojo de maquiagem, mas, até então, ele não passava, para mim, de uma cor "fofa", de um detalhe feminino, e só - admito que era uma cor coadjuvante. Tanto é que, quando me mudei, não encomendei o meu quarto rosa, como geralmente toda menina faz. Pelo contrário: pedi para pintarem o teto de azul, porque eu queria ter um pedacinho do céu só para mim. Mas quem diria que o meu mundo estava prestes a ser invadido e transformado pelo cor-de-rosa?!
Como tudo começou? Aqui mesmo, no Bolsa de Mulher. E para vocês verem como o rosa é mesmo uma questão de atitude, é coisa que vem de dentro e que a gente cultiva desde cedo em nós, quando comecei a trabalhar no Bolsa o Movimento Rosa ainda nem existia, mas todos já eram, pensavam e agiam rosa, por mais diferentes que fossem uns dos outros.
Eu notava que as pessoas chegavam ao trabalho felizes e que, ali, o "bom dia" não era só uma questão de etiqueta, de convenção. Não! As pessoas realmente desejavam que o seu dia fosse bom. Como é engraçado perceber que o que deveria ser normal - desejar ao seu colega um bom dia de trabalho - poderia soar tão estranhamente sincero.
O rosa foi chegando aos poucos no escritório. Um dia, foram os laptops cor-de-rosa. Em outro, chegaram alguns enfeites da mesma cor e, de repente, vem a notícia: "Vamos nos mudar". A família Bolsa estava ficando cada vez maior e era preciso uma casa mais espaçosa para que todos pudessem trabalhar melhor e com mais conforto. E se o rosa já havia conquistado todos nós, foi no nosso novo escritório que a cor deixou de lado a timidez e coloriu com vontade a decoração - até mesmo a natalina, uma vez que (adivinhem!) nem a nossa árvore de Natal escapou: ela é inteirinha rosa! Linda!
Acreditem, não há nada melhor do que começar um dia de trabalho cor-de-rosa. E o que me faz feliz em trabalhar no Bolsa - sem querer puxar o saco de ninguém, hein?! - é que todos os dias aqui são assim. O rosa está nas paredes, nos lustres, no estofado das cadeiras, nos enfeites fofos e, mais importante, nas pessoas. É lógico que às vezes rola um estresse, como em todo escritório, mas é aquela pitada "rosa-choque" que serve para sacudir a nossa vida de vez em quando. Cá entre nós, como seria chato se tudo fosse sempre calmaria, rosa-bebê!
Mas o fato é que aqui todos se amam e se respeitam. Tem a galera da redação (onde temos jornalistas e onde o nosso querido astrólogo caiu de pára-quedas há pouco tempo), o pessoal do marketing, do comercial, do design, de tecnologia, do financeiro e, é claro, a diretoria. Cada um tem suas histórias, seus interesses e suas prioridades, mas o Bolsa é um lugar onde os colegas de trabalho são mesmo amigos do peito.
Logo vemos que o rosa não está só na nossa decoração. Aqui, homens e mulheres vestem a camisa por um mundo, por um dia-a-dia e por um ambiente de trabalho cor-de-rosa. É como se cada segunda-feira, com a energia característica do início de mais uma semana produtiva, tivesse o sabor gostoso de sexta. E é como se cada sexta deixasse a saudade dos colegas e até mesmo da correria de segunda, terça, quarta e quinta. Quer saber? Eu acho que deveria ser assim em todo lugar. Cercada de atitudes e de pensamento rosa, a gente trabalha com mais prazer, com muito mais vontade! E foi, então, que eu decidi que queria muito mais do que um céu azul no teto do meu quarto. Eu queria mesmo é viver a vida cor-de-rosa!
Minha cor preferida continua sendo o azul, mas agora eu aprendi que isso reflete, no fundo, uma atitude rosa, porque ser rosa é querer bem o laranja, o amarelo, o branco, o preto, o vermelho, o verde, o lilás, o azul... É ser legal com todo mundo - família, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, pessoas na rua - seja quais foram as nossas diferenças. Aprendi que ser rosa, afinal de contas, é ter a certeza de que o nosso mundo é lindo assim: colorido. Dá-lhe, Movimento Rosa!
Meninas,
A próxima quinta, dia 27 de novembro, será rosa. Vamos vestir o nosso otimismo, a solidariedade, a gentileza, a feminilidade e, claro, aquela peça rosa! Vamos distribuir sorrisos, abraços e mostrar a todos que o mundo pode e deve ser muito melhor. Afinal, tudo começa pela gente, basta um pequeno gesto.
Chame suas amigas, espalhe a notícia, vamos pintar a nossa Quinta de Rosa!
Contamos com vocês!
Um beijo!
Mulher do tom rosa é a que sabe ler livros de contos-de-fadas e sonhar em ser princesa, vê amenidades do mundo da moda e maquiagem. Mas sabe também refletir sobre textos técnicos e filosóficos, sem medo de ser pink, um pouco mais quente, objetiva e poderosa. Ter o coração rosa é poder praticar o sonho de ser feliz. Perdoar, saber ouvir, doar... Chorar quando vê um pobre na chuva, dar a mão a um idoso para atravessar, e até gritar de alegria por fechar um contrato especial e vantajoso. Na cor da emoção vivemos há muito tempo. Liberdade, pílula anticoncepcional, divórcio, poder votar e pensar, o que antes era inadmissível.
Mas mulher é adrenalina, nitroglicerina pura, paz e pétala de flor - doce e perfumada. Sabe dosar o espírito, ir com calma, se colocar frágil diante de uma situação e ressurgir das cinzas como fênix quando menos se espera. Rosa é a cor da mistura do perfume que invade a mente e sai pelos poros de uma bela moça que resolve dar a volta por cima, que não olha para trás e quer vencer a dor. Coração cor-de-rosa é o sinal do despertar da alegria que provoca um dos mais lindos sorrisos - o da mulher. É bonito mesmo ver uma delas ocupada de rosa. Toda sentimentalmente rosa... Agradável, amiga e forte. Maternal, ingênua e honrada, por ter em seu peito a imagem gravada dos seios que guardam o alimento mais puro que existe. Ao mesmo tempo, o emblema da fortaleza, que a fez ser capaz de enfrentar o mundo para chegar a evolução feminina - a mente inquietante.
"Pensar rosa" talvez no passado tenha sido conceituado como fraqueza. Mas a mulher de hoje, contemporânea, conseguiu transformar esse tom no preferido código que brilha e faz dela um sucesso. Pensar rosa é conseguir ter o equilíbrio da suavidade. Poder ser nobre e, ao mesmo tempo, muitas vezes ter que virar abóbora para superar crises - esfregar o chão, cuidar do jantar, menstruar, e, louca de ansiedade pela crise da TPM, levantar assim mesmo e ir trabalhar. Levar o dia a sério, analisar processos profissionais, atender pessoas... superar. Chorar? Que bom poder utilizar as lágrimas que são permitidas a nós, seres cor-de-rosa! Alguns imaginam que a mulher é tola, mas ninguém sabe melhor do que ela o que representa - a essência forte do elixir da vida, da força.
Mulher guerreira que sabe sofrer e levantar. Parir e depois sorrir, beijar seu filho, chorar de alegria. Pois que venha o choro sempre que for necessário. É a linguagem dos sentimentos. Que jamais deixemos de ser cor-de-rosa, exaltando a feminilidade, o êxtase de ser fêmea. Ser da cor rosa é estar esfuziante diante da vida, e não só possuir um corpo perfeito, mas que até seja cheio de curvas, sinuoso, que sabe dar a volta por cima nas íngremes montanhas da vida. Curvas que oferecem flexibilidade, mas jamais deixam de vencer um desafio.
Quem visitou o Cristo Redentor, a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Memorial Juscelino Kubitschek, em Brasília, ou o Teatro Ópera de Arame, em Curitiba, nos últimos dias, deve ter reparado algo diferente. Esses e outros pontos turísticos brasileiros foram coloridos com luzes cor-de-rosa, para chamar a atenção da população sobre o mês de combate ao câncer de mama. A iniciativa, idealizada pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), em parceira com o movimento Outubro Rosa, faz parte da campanha "Não aceite informações pela metade", que busca conscientizar mulheres e homens sobre os riscos do câncer de mama, a importância do exame de mamografia e as altas possibilidades de cura oferecidas por um diagnóstico precoce da doença.
O movimento também já marcou presença em outros locais ao redor do mundo, como a Casa Branca, nos Estados Unidos, que ficou rosa por um dia.
Para saber mais sobre o câncer de mama e a situação da doença no Brasil, confira a entrevista que o Bolsa de Mulher fez com a mastologista Maira Caleffi, presidente da FEMAMA.
Aos cinqüenta e tantos, a visão da vida e do mundo já deixaram há muito de ser cor-de-rosa. Ter visão "rosa" me remete àquele filme "Mulheres Perfeitas" - bonecas lindas, feitas para servir. Usar rosa nem cogito. É uma cor tão de garotinha, de adolescente, de patricinha... Nossa, que preconceituosa! Por detestar qualquer tipo de preconceito, resolvi dar uma chance ao rosa. Comecei a procurar os rosados que fazem parte da minha vida. Claro, como toda mulher, pensei logo em roupas. Gosto de roupas escuras, pois escondem o excesso de peso. "Não tenho nada de rosa", disse.
Cheguei à conclusão de que o rosa não me seduz, não me fascina. Mentira! Muita mentira. Hoje, vendo a pontuação do meu time, num famoso Fantasy Game da internet do qual participo há três anos, ri muito da minha certeza. Meu time chama-se Rosa Choque. Com camisa, escudo, tudo cor-de-rosa. Fui para o meu messenger, e adivinhem: minha janela do MSN é rosa. Meu blog no MSN Spaces? Todo rosa com coraçõezinhos. E não acaba por aí. Tenho uma montanha de cortes de tecido pra fazer patchwork (arte de emendar tecidos). A maioria é rosa ou com estampas da mesma cor. Quando me lembrei das minhas bolinhas de golfe rosa, capitulei. Eu adoro rosa.Comecei a puxar lembranças do passado. O rosa participou de muitos momentos prazerosos. Meu primeiro vestido longo era rosa. Dancei a noite inteira com o primeiro amor. Lembro-me de uma roupa que eu adorava. Ganhei aos 10 anos, de presente da minha avó: uma saia curtinha de veludo azul-marinho com um conjuntinho rosa, blusa e casaquinho, de banlon (uma malha sintética super famosa no final dos anos 60).
Quando engravidei, fiz uma ultra aos cinco meses de gestação. A médica disse que era menina. Eu e minha mãe fizemos, de tricô, vários casaquinhos e sapatinhos cor-de-rosa. Acho que na época, início dos anos 80, a tecnologia não era tão precisa. Quando fiz outra ultra, com quase nove meses, apareceu lá um baita de um peruzinho. Tive que usar os casaquinhos rosa no meu meninão. Claro, criei moda para época. Era o macaquinho azul, com casaquinho e sapatinhos rosa. Não fez mal nenhum a ele. Nem faria, o preconceito é que não deixa os homens usarem essa cor. Um ou outro que use deve sempre ouvir alguma piadinha...
Imaginem que no início do ano, no Campeonato Paranaense, um zagueiro, chamado Alemão, do time Real Brasil (time novo e pobre, primeira vez na primeira divisão paranaense) jogou contra o Atlético Paranaense com chuteiras emprestadas cor-de-rosa. O destaque do jogo foram as chuteiras do pobre zagueiro. Ninguém se importou com o jogo. Somente com as chuteiras rosa e com as especulações sobre a opção sexual do jogador.
Acredito que cor é cor. O rosa, por convenção, passou a identificar o feminino. Talvez pela flor rosa, a mais linda de todas. A expressão "ver a vida em cor-de-rosa" é atribuída somente às mulheres. Coisa de "Alice". Hoje, fazemos quase tudo que os homens fazem, tanto no profissional, quanto no afetivo. Muitas vezes apelamos, querendo ser iguais aos homens em tudo. O Movimento Rosa me fez pensar no quanto a mulher de hoje perdeu a emoção, a meiguice, a pureza, a ingenuidade. Hoje, a vulgaridade assola o mundo feminino. Em busca da fama, somos melancia, melão, bundas e silicones. Ninguém namora mais; fica. O namoro já é um casamento. Enfrentam logo a rotina, a destruidora da paixão.
Vejo no Movimento Rosa uma oportunidade de resgate da verdadeira essência da mulher. Ser feminina, mas com todos os direitos iguais. Usar seu corpo com toda a liberdade - mas para a sua felicidade, não para ser usada. Amar e ser amada é o que no final importa nessa vida.
Toda flor um dia se abre. E só a natureza decide a hora. Mas a gente pode dar uma ajudinha ao processo. É preciso adubar-se, cuidar-se, tratar-se com carinho, conversar consigo mesma. Conhecer os próprios gostos e preferências. Saber-se rosa ou margarida. É aconselhável não se expor demais ao sol, nem tomar chuva em excesso. Evite morar na sombra, procure um lugar com luminosidade abundante. Cerque-se de energias boas. Permita-se ser tocada. Distribua néctares, compartilhe seu lado doce. Converse com pessoas. Escute o que elas têm a dizer. Absorva o silêncio. À noite, namore a lua. Respire.
Ao se olhar no espelho, veja uma mulher linda. Linda por ser única. Acredite, não há ninguém neste mundo igual a você. Você é uma flor rara. E sabe o que é o melhor disso tudo? Você pode ser ainda mais. Mais bonita, mais alegre, mais feliz. Não há limites senão os impostos por si mesma. Encha-se de mimos, vestidos, rendas, feminilidade. Porque a gente dá presentes a quem ama, não dá? O mundo cor-de-rosa possui infinitas nuances. Descubra a sua. Respeite-se. Aceite-se. Sorria. O desabrochar de uma flor começa pelo abrir-se de um sorriso. É um perigo uma mulher acordar apaixonada por si mesma: pode nunca mais conseguir se desapaixonar. Essa paixão pode contagiar você. É só querer.
"Mulher é bicho esquisito
Todo mês sangra
Um sexto sentido
Maior que a razão
Gata borralheira
Você é princesa
Dondoca é uma espécie
Em extinção
Sexo frágil
Não foge à luta
E nem só de cama
Vive a mulher...
Por isso não provoque
É cor de rosa-choque"
Cor de Rosa-Choque - Rita Lee
Pra quem não é dessa época, a música acima fez sucesso na decada de 80 como tema da abertura do TV Mulher. Marília Gabriela comandava o programa feminino que ia ao ar na Rede Globo todas as manhãs. Num momento em que o país começava a se cansar da ditadura militar, Marta Suplicy falava abertamente de sexo para as donas-de-casa.
Os anos se passaram, a realidade é outra, e falar de sexo já não gera polêmica há muito tempo... A mulher de hoje em dia é bem informada, consciente dos seu direitos, absoluta no que diz respeito às suas próprias vontades. Sabe o que quer, consegue o que quer, rejeita o que lhe faz mal. Tem filhos ou não, tem companheiro ou companheira, tem a si mesma. Não tem medo de estar sozinha, às vezes até prefere. Acorda cedo, dorme tarde, sem tempo pra nada, mas com liberdade total para se autoconhecer. Vive três mulheres em uma - mãe, esposa, executiva - mas se dedica a cada uma delas como se fosse uma só. Porque ser mulher é assim mesmo: dedicação total ao que faz e uma vontade imensa de ser feliz.
Talvez, agora, aos 37 anos, entenda porque sempre relacionaram um mundo perfeito a um "mundo cor-de-rosa". Porque rosa é totalmente feminino. E ser feminino é ser delicado, sensível, porém valente, determinado, profundo.
O Movimento Rosa simboliza justamente essa mulher contemporânea que sabe ser mulher de verdade: sem rótulos, cores ou esteriótipos. Simplesmente mulher.
Em algum momento do segundo grau, as turmas do segundo ano do turno da manhã do colégio onde eu estudava resolveram se manifestar contra a expulsão de um colega, se vestindo de preto. Dois anos tinham se passado desde a passeata "Fora-Collor", o sentimento ainda era de que a juventude podia mudar o mundo. Ou seja, reintegrar um aluno seria uma tarefa fácil para aqueles que derrubaram um presidente. Obviamente, acostumado a rebeliões estudantis, o coordenador do colégio achou graça do movimento e propôs que todos os alunos comparecessem vestidos de rosa no dia seguinte, prometendo um ponto na média final caso a adesão fosse integral. A fofoca chegou até os integrantes da solitária turma do turno da tarde, que exigiu que a mesma tarefa lhes fosse oferecida. Nem sabíamos quem era o aluno expulso, mas por um ponto em nossos boletins o esforço seria válido. No dia seguinte, com a ajuda das meninas, que levaram camisas extras para aqueles que não possuíam uma peça de roupa daquela cor em seus armários, todos os alunos, dos dois turnos, fizeram daquela quinta-feira a mais colorida da história do colégio. Foi um dia alegre, de risos, um dia para ser lembrado. Foi a minha primeira Quinta Rosa.
Mais de dez anos depois, minha ex-mulher chegou em casa dizendo que um amigo dela estava contratando um desenvolvedor para o site Bolsa de Mulher. Desempregado, aceitei a oportunidade sem pensar duas vezes, e sem imaginar que um momento vivido tantos anos antes poderia se repetir. Desde o primeiro dia, pude perceber que tudo era diferente em relação às outras empresas onde trabalhei. O ambiente era mais descontraído, mais relaxado, as pessoas pareciam sempre felizes, fazendo seu trabalho com amor, e, desde o papo informal entre funcionários, passando pelas matérias e chegando ao fórum, tudo tinha um ar rosa. Dia após dia, eu via tudo tender sempre para o lado mais feminino, mais otimista, sensível, e tudo ao meu redor foi se tornando mais rosa. Bolsas, garrafas térmicas, mídia kits, fundo de tela dos computadores, capa dos notebooks, tudo era motivo para colorir o ambiente.
E foi então que, um belo dia, veio a ordem: "Amanhã, todos devem vir de rosa!". Rosa? E não é que eu tinha mesmo uma camisa rosa guardada? Para minha surpresa, minha camisa foi reprovada em todos os departamentos da empresa por não ser rosa, e sim, goiaba. Mas tudo bem, eu sabia que teria a chance de tentar novamente. Veio a segunda Quinta Rosa, e lá fui eu procurar uma peça de roupa rosa para comprar nas lojas de Ipanema. Para garantir o sucesso da missão, fui direto nas etiquetas indicativa das cores, e encontrei uma camisa "Rosa Rubor". Todo feliz, vesti minha nova aquisição. Mas, para minha surpresa, descobri que havia falhado novamente. Segundo minhas companheiras de trabalho, a cor da vestimenta era salmão. Eu não podia acreditar! Achava que dessa vez tinha acertado.
Fomos então almoçar. Todos de rosa, e eu de salmão. Todo mundo na rua olhava para aquele bando de malucos andando juntos na rua de rosa (e o patinho feio aqui de salmão), e sorriam, porque o grupo transbordava de alegria. E eu entendi que o movimento não está na cor da sua blusa, ou da garrafa térmica, nem no fundo de tela do computador. Tampouco no mídia kit, mas sim na forma de ver a vida, encarar os desafios, e conviver com as pessoas ao seu redor. Nesse dia, eu voltei dez anos no tempo, e relembrei daquela feliz primeira Quinta Rosa. Na verdade, não lembro ao certo se aquilo aconteceu em uma quinta-feira, mas fica bem mais legal contando assim, não é?